27.2.10

Um teste, para começar

Agora que o ano começou, que tal testar seus conhecimentos sobre os vinhos, um quiz como se diz?
1. Que tipo de maceração é utilizado na região de Beaujolais, França? a) Plutônica; b) Carbônica; c) Teutônica; d) Mnemônica?
2. Onde fica a região vinícola da Mosela? a) França; b) Áustria; c) Alemanha; d) Espanha; e) Petrópolis.
3. Qual a mais importante uva tinta do Loire? a) Pinot Noir; b) Cabernet Franc; c) Cabernet Sauvignon; d) Gamay.
4. A uva Mencia faz vinhos de que cor? a) tintos; b) rosés; c) brancos; d) cinza (um rosé pálido).
5. O produtor Lisini opera em que país? a) França; b) Espanha; c) Itália; d) Alemanha; d) Argentina.
6. Qual o país de origem dos produtores Jacques e François Lurton? a) França; b) Argentina; c) Estados Unidos; d) Austrália.
7. Qual é a temperatura de serviço recomendada para um Champagne: a) Entre zero e 5º C; b) entre 5 e 10º C; d) entre 10 e 15º C.
8. Qual o nome da região francesa onde o famoso Muscat Beaumes de Venise é feito? a) Vale do Ródano; b) Borgonha; c) Loire; d) Cognac.
9. O que é a Touriga Francesca? a) Um produtor da Argentina; b) Uma variedade de uva utilizada no vinho do Porto; c) Um vinho fortificado francês; d) Um método de vinificação comum na região do Veneto, Itália.
10. Que região vinícola francesa também é conhecida por Midi? a) Languedoc-Roussillon; b) Bordeaux; c) Borgonha; c) Beaujolais.
Respostas:

1. A técnica da maceração carbônica é largamente empregada na região de Beaujolais, França. A maceração carbônica envolve o amolecimento de uma substância sólida por um líquido, no caso, das uvas em seus próprios sucos, fazendo com que fermentem sob uma “capa” natural de dióxido de carbono. O resultado é um vinho de muita cor e frescor, com sabor de frutas, mas com poucos taninos.
2. O Mosela é o principal tributário do lado esquerdo do rio Reno, na Alemanha (a partir de Klobenz. Ele nasce na Alsácia, França, em direção a Luxemburgo e a Alemanha, onde forma o belíssimo Vale do Mosela, famoso também pelo seu excelente vinho. Daqui saem os preciosos Rieslings, Elblings, Müller-Thurgau, Kerners e Auxerrois.
3. Cabernet Franc é a principal uva tinta do Loire. É encontrada em regiões mais frias, como a do Anjou-Saumur, cujo clima serve para acentuar sua qualidade aromática. Mas, atenção: a região também produz vinhos ótimos como os de Bonnezeaux, com a Chenin Blanc e o famoso Rosé d’Anjou.
4. A uva Mencia é utilizada pela região vinícola de Bierzo (ou El Bierzo), na Espanha, para fazer um ótimo vinho tinto. É uma região antiqüíssima, no canto noroeste de Castilla y León, perto da fronteira com a Galícia. Graças a investimentos e a inovações, El Bierzo é hoje uma das estrelas na constelação vinícola espanhola, ao lado de Rueda, Penedés, Toro e Jumilla.
5. Lisini é um dos principais produtores do famoso Brunello de Montalcino, na Itália. A propriedade está nas mãos da família Clementi-Lisini desde a Renascença. Fica ao sul de Montalcino, perto da vila de Sant’Angelo. O seu enólogo é Franc Bernabei, um guru que conseguiu colocar a propriedade em pé de igualdade aos melhores produtores do Brunello: um vinho rico, encorpado, textura soberba, maravilhosamente harmonioso.
6. Jacques e François Lurton são franceses, mas têm propriedades na Argentina, onde começaram a produzir em 1992, na região de Mendoza, aos pés dos Andes, bem acima do nível do mar. Hoje, os Lurton fazem vinhos em todo o mundo. Na Argentina, trabalham muito bem com a Chardonnay, mas sua marca mais famosa é a Santa Celina, feita com a Pinot Gris.
7. Um espumante, em particular um Champagne, deve ser servido entre 5 o 10º C. Lembre-se que muito gelado, o vinho terá seu sabor mascarado. Quanto mais fino for o vinho menos ele precisa ser refrigerado. Água e pedras de gelo num balde gelam mais eficiente e rapidamente do que apenas gelo.
8. Muscat Beaumes de Venise é um vinho doce feito no Vale do Ródano, França. Beaumes de Venise é uma vila no Vaucluse, perto de Vacqueyras e Gigondas. Foi elevada a AOC em 2005, pela qualidade de seus tintos. Contudo, é uma região mais conhecido pelo seus Muscats doces e fortificados, que têm sua própria AOC, justamente a Muscat de Beaumes de Venise, um vinho doce natural que chegou a ser mais popular que os Sauternes e os doces alemães entre 1970 e 1980. Tem um mínimo de 15% de álcool, baixa acidez e é intensamente doce. O que surpreende é a sua surpreendente delicadeza, com uma fragrância floral. É feito exclusivamente da cepa Muscat Blanc à Petits Grains. Deve ser bebido o mais jovem possível, ligeiramente gelado, seja como aperitivo ou acompanhando uma sobremesa. Faz ótimo par com sorvetes.
9. A Touriga Francesa é uma das 40 cepas permitidas na produção de vinhos do Porto. Possui uma casca muito fina e seus vinhos são menos densos em cor e em taninos do que a sua colega, a Touriga Nacional. Contribui, porém, com fruto, aromas e maciez. Outras estrelas importantes na constelação do vinho do Porto são a Touriga Nacional (grande extrato, muitos taninos, corpo e estrutura no blend), a Tinta Roriz (nome português para a espanhola Tempranillo, contribuindo com muito açúcar e baixa acidez), Tinta Barroca (delicadeza, fines se, frutos aveludados: entra com elegância e frutos maduros na mistura final) e Tinto Cão (vinhos finos, complexos: é a menos importante dessa série, pois sua produção foi grandemente reduzida).
10. Languedoc-Roussillon, também chamada de Midi, é uma das 26 regiões da França, vastíssima, localizada no sul do país, ao longo do Mediterrâneo. É um oceano de vinhos, produzindo entre 35 e 40% das uvas e perto de 300 milhões de caixas de vinho anualmente.
Agora, coloquei o Mosela em Petrópolis (na segunda questão), só para puxar a brasa para um querido bairro de Petrópolis, que lembra a presença dos imigrantes alemães na Serra. Mas vinho nessa minha Mosela só no mercado.

Da Adega
Vinho no Iphone
. Pois a Expand agora também é pioneira no mundo digital e lança o primeiro aplicativo de vinhos para Iphone no Brasil. O programa é homologado pela Apple e pode ser baixado gratuitamente no site da Apple Store, via iTunes. Entre várias funções, o aplicativo dá dicas de harmonização, traz fichas técnicas dos vinhos, informa sobre eventos, lista os rótulos do catálogo e dá os endereços das 40 lojas
Expand no Brasil, com link direto para o Google map. Mais Informações com a Sandra Schkolnick ou pelo telefone: (011) 3816-5312

18.2.10

Veisalgia, essa danada

Para não falar dela mais uma vez e ficar monótona, que tal comentar sobre a veisalgia? Um nome rebuscado que esconde um fenômeno clínico infelizmente onipresente em toda a nossa sociedade e de gravíssimas conseqüências sociais e sanitárias.
É um vocábulo cuja autoria não está muito clara. Temos a conhecida algia, dor em grego, daí a nevralgia. O veis vem do norueguês kveis, que significa algo mais ou menos como “desconforto após a devassidão”. Seus sintomas são dor de cabeça, náusea, urina e sede excessivas e mais a fadiga. Tudo isso em doses monumentais. Se você está nesse estado, abusou e não parou mais nesse carnaval, certamente encontra-se em casa (será mesmo?) não suportando sequer olhar-se no espelho.
E a cura para esse estado calamitoso? “Pobre daqueles que se levantam cedo para correr atrás das bebidas, que ficam acordados até tarde da noite inflamados pelo vinho”. O profeta Isaias (5:11) já sabia o que os excessos podem provocar. Deveria saber também que pouca coisa, ou coisa alguma, poderia ser feita.
Sabe-se que a ressaca tem várias causas. A desidratação do corpo é uma das principais. O álcool é diurético, nos faz urinar e suar, perder muita água, enfim. O café, aquele sempre recomendado “café forte” só vai complicar ainda mais as coisas, pois ele também é um diurético. A dor de cabeça é um dos sintomas da desidratação e pode ser melhorada com comprimidos para dor e água, muita água.
Algumas bebidas são piores do que outras. Em ordem decrescente de estrago, temos as bebidas escuras: conhaque, vinho tinto, rum, uísque. Em seguida, as bebidas brancas: vinho branco, gim e vodca – essas as melhores.
Embora no final tudo se resuma à quantidade de álcool, misturar nem sempre é bom. Há um velho e consistente ditado: “Cerveja antes do destilado, nunca pior. Destilado antes da cerveja, nunca tema”. A cerveja, ou qualquer outra bebida carbonatada, é absorvida muito mais rapidamente pelo corpo. Bebendo-a antes de outras bebidas alcoólicas resultará que estas sejam absorvidas mais rapidamente também.
Evite tomar um trago de qualquer bebida para ajudar na cura. Ou seja, usar o álcool como remédio. Em vez disso, prefira vitamina C, que vai aumentar a eliminação do álcool pelo corpo. O álcool causa desidratação, como vimos, por isso devemos beber muita água, como também sucos de frutas e suco de tomate.
Em boa parte das vezes, só pensamos em beber. E comer? Nunca é bom beber de estômago vazio. A comida ajuda a absorver parte do álcool e ainda a digeri-lo de modo mais rápido.
Não tente o café, pois é diurético, como dissemos. Além disso, ele não vai levá-lo à sobriedade. No máximo, você será um bêbado bem acordado.
Na verdade, os cientistas ainda não conseguiram uma cura para a ressaca. O responsável não é necessariamente o álcool (etanol) do vinho, da cerveja e de outras bebidas. Os cientistas, inclusive, dizem que muitas vezes os sintomas são mais severos quando o etanol é eliminado do nosso sistema.
Ele é eliminado pelo fígado. Ou seja: o fígado o converte num ácido tóxico, o acitaldeído, que em seguida é transformado num acetato, daí vira ácido acético para finalmente acabar como dióxido de carbono e água. 90% do álcool convertem-se assim, pelo fígado. 5% são eliminados diretamente através dos pulmões (daí o uso do bafômetro). Outros 5% são eliminados diretamente pela urina.
Os sintomas característicos da terrível veisalgia começam normalmente algumas horas após a última ingestão de álcool. E o ponto máximo acontece quando a concentração do álcool no sangue marca zero. 75% daqueles que beberam a ponto de intoxicar-se vão pegar uma senhora ressaca.
O álcool vai irritar as paredes do estômago e aumentar a produção de ácido clorídrico. Alguns nervos do estômago vão passar essa informação aos centros de vômito da medula – que, por sua vez, envia estímulos ao estômago de modo a que expulse o que o está incomodando. Lá vem a náusea.
A dor de cabeça seria um efeito do álcool ao dilatar os vasos, aumentando a pressão na cavidade cerebral. O álcool também faz aumentar os níveis de histamina e serotonina, sempre relacionados às dores de cabeça em algumas pessoas.
A fadiga é devido à hipoglicemia: o álcool reduz os níveis de açúcar em muitas pessoas. Perdemos energia, sentimo-nos mais cansadas.
Além da fadiga, o álcool brocha, sem dúvidas. O desejo sexual pode até aumentar com o consumo de álcool. Mas o desempenho, querida, fica para outra ocasião. O álcool promove efeitos sedativos no cérebro, resultando em má coordenação motora, pouca ou nenhuma secreção de hormônios sexuais e desidratação, como vimos. Ou seja: teremos uma senhora redução nas secreções. Os homens conhecem muito bem essa história. Mas nunca aprendem e vivem repetindo que “isso nunca aconteceu comigo”.
Os pesquisadores culpam também uns tais de congêneres. O metanol, álcool da madeira, é um congênere (que pertencente ao mesmo gênero) normalmente encontrado nos vinhos (e nas bebidas escuras, como o conhaque, o uísque e o rum) e quase sempre o culpado pelos desastrosos sintomas. Embora responda em grande parte pelos sabores da bebida, ele contém impurezas que, no final das contas, vão martelar nossas cabeças. O etanol, álcool de grãos, bloqueia o funcionamento do metanol: assim, de fato é o álcool do vinho que está ajudando a afastar a ressaca. Isso até que ele seja eliminado do sistema. Quando isso acontece, o metanol se apresenta e é um desastre.
Os produtores de saquê sabem disso. Eles moem o arroz até que ele se livre de suas camadas mais externas, onde se encontram suas impurezas. É por isso que, falam eles, é muito pouco provável que tenhamos ressaca com saquê. Pelas mesmas razões falam que vinho de boa qualidade não vai provocar ressaca, pois são muito bem filtrados e contêm menos impurezas.
A verdade é que os cientistas ainda não entenderam direito o mecanismo da ressaca. Sabem que se relaciona com os feitos tóxicos do álcool e com a desidratação, mas desconhecem como a coisa toda se opera.
As pesquisas nessa área demoram, talvez em função de problemas éticos. O sucesso na cura da ressaca pode induzir a bebedeiras cada vez piores, embora saibamos que a ameaça da ressaca até hoje não impediu ninguém de beber. E de beber até cair.
Assim, amiga, fique no básico: muito sono, muito descanso, bastante água, um banho quente, um energético, um suco. Sei que todo mundo tem uma receita contra a ressaca escondida na manga. Mas melhor delas é evitar a embriaguez.
Da Adega
Vinhos no Verão
. Maurício Leme, sommelier da World Wine, uma das três maiores importadoras de vinhos premium do país, dá algumas dicas sobre como tratar e consumir vinhos nesse verão de lascar:
a) Os rosés, brancos e espumantes são mais indicados, por serem servidos mais gelados e por terem no frescor e na sua acidez suas principais características;
b) Os tintos podem ser tomados, mas cuidando para que sua temperatura fique entre 16 e 18ºC. Caso não tenha uma adega climatizada, coloque a garrafa num balde com gelo durante uns 10 minutos. Experimente tintos leves, como o Bardolino, o Chianti e os Beaujolais. Ou vinhos com uvas como a Pinot Noir, a Gamay e a Dolcetto.
c) O vinho pode ser resfriado na geladeira, mas não deve ser mantido nela por muito tempo, pois pode ressecar a rolha, o ar entrar ou o líquido vazar. O melhor é mesmo é o balde com gelo: vai resfriar mais rapidamente.
d) Na praia, leve seus vinhos (de preferência os espumantes e os brancos) em isopor com gelo e um pouco de água;
e) Os rosés devem ser servidos entre 11 e 14º C; os brancos entre 10 e 13º C e os espumantes entre 6 e 10º C.
Veja a seleção de vinhos recomendada pelo sommelier no site da
World Wine.

11.2.10

Folias

O álcool. Se não fosse o álcool, a raça humana teria levado mais tempo a praticar a agricultura. Para Patrick McGovern, um respeitado arqueólogo americano, foram os prazeres das bebidas fermentadas que incentivaram o homem do Neolítico a começar a cultivar o solo. Ele acha que não foi a maçã que deixou tudo a perder. Mais provável ter sido um punhado de figos: os frutos caíram ao chão e fermentaram. Alguém os pegou e provou: assim que o álcool entrou na corrente sangüínea e chegou ao cérebro, a mensagem recebida foi: quero mais disso!
Não há muitas dúvidas de que o primeiro encontro da humanidade com o álcool aconteceu acidentalmente na forma de uma fruta fermentada. Mas não divido com o arqueólogo americano que a partir daí o homem não parou mais em sua busca por algo que o intoxicasse.
No Neolítico, a raça humana deixou de ser nômade, fixou-se em áreas propícias para o cultivo e a criação: precisava alimentar-se através de plantas, vegetais, frutos, grãos e, ainda, conseguir proteínas com carne de boi, ovelha, porco etc. O arqueólogo revela que já há 9 mil anos, muito antes da invenção da roda, os habitantes da vila de Jiahu, na China, estavam fermentando um mel com conteúdo alcoólico de 10%.
Muito bem: mas eles precisavam comer também. Precisavam dos legumes e da carne, necessitavam do couro para seus agasalhos, para suas cabanas e barcos.
Daqui a pouco, vamos ter arqueólogo demonstrando ter sido o repolho o que nos levou à agricultura. O álcool é importante, concordo, mas não mais do que a batata ou o milho no avanço para a agricultura. É folia demais para o meu gosto.
Maconha e vinho. Os californianos decidirão, por voto, em novembro próximo se legalizam ou não o consumo de maconha e como taxarão esse consumo. O grupo favorável à legalização está utilizando o sucesso da indústria vinícola no estado como argumento: ele cria empregos (em torno de 310 mil, até agora), renda (mais de 10 bilhões de dólares em salários), mais de três bilhões de dólares em impostos para o estado – e isso com o segundo menor imposto no país sobre o galão de vinho (3,7 litros): 20 centavos de dólar. Parece bom, não é? Dá para imaginar quanto o governo irá faturar com a maconha.
A comparação é perigosa. Segundo um blogueiro de vinho, Tom Wark, “a única razão aceitável para fumar maconha é “ficar na boa”. O vinho nos deixa na boa também, mas apresenta outras razões aceitáveis para bebê-lo. É gostoso, torna a comida mais apetitosa, é uma tradição na celebração de uma ocasião importante (não se imagina o vovô, acendendo um cigarro de maconha para celebrar o nascimento da neta: “minha neta vale um tapinha”, coisas assim).
Mas a verdade, reflete o blogueiro, é que gostamos do vinho por que o álcool contido nele não faz sentir bem (ou pelo menos diferente). “E esse é o fato pouco divulgado por trás do sucesso dos vinhos. E nesse aspecto, o vinho e a maconha não são muito diferentes”.
E você, amiga: acha essa comparação justa? O vinho é essa folia toda?
Será o Benedito? Os monges beneditinos da Abadia de Buckfast, na Escócia, criaram um “vinho tônico” que está dando o que falar. Ele pode ser comprado pelo nome de Buckfast Tonic Wine, mistura vinho (com 15% de álcool) e cafeína (o equivalente a oito latinhas de Coca-Cola) numa garrafa de 750 ml. Essa mistura está fazendo um grande sucesso no país. E também provocando acaloradíssimos debates, pois lá as autoridades não sabem mais como resolver o problema do alcoolismo.
A polícia local diz que Buckfast foi mencionado em 5.538 relatórios sobre crimes praticados entre 2006 e 2009 (a garrafa foi usada como arma em 114 desses atos). Já um porta-voz da empresa que distribui a bebida informa que ela não chega a 1% de todo o mercado escocês de bebidas.
Você não vai encontrar a bebida em nenhuma lista de vinhos. Buckfast está sendo criticado até pelo Bispo Episcopal da Escócia, reverendo Bob Gilles. Ele condena os beneditinos de Buckfast de estarem se afastando dos ensinamentos de seu padroeiro, São Benedito, santo muito cultuado no Brasil. O bispo reclama da duplicidade moral dos beneditinos, “associado a um produto sabidamente responsável por danos sociais e médicos. São Benedito teria ficado muito infeliz com o que seus monges estão fazendo atualmente”.
Vamos lembrar, porém, que os licores Bénedictine e Chartreuse são mais alcoólicos do que o Buckfast. O bispo episcopal deve achá-los também produtos do diabo – e isso para não falar do mais famoso monge beneditino, Dom Perignon, que deu uma formidável contribuição à criação do champanhe.
O Buckfast fatura 50 mil libras por dia, em vendas. Os monges beneditinos não estão lá para vigiar o que cada um faz com seu vinho – e com sua cerveja, seu uísque etc. Essa é uma folia para arrumar um bode expiatório para o porre ancestral dos escoceses.
A folia dos rosé. O sucesso desses vinhos é tanto (seu mercado cresceu 47% em todo o mundo, segundo relatório da Vinexpo) que criaram até um vinho do Porto Rosé. É o Croft Pink. Se não fosse pelo nome “Porto” no rótulo ele passaria por mais um vinho rosado. Veja aqui.
Beba segundo a estação do ano: brancos na primavera-verão, tintos no outono-inverno. Já o rosés, tal como os espumantes, são vinhos para todas as estações.
O grande folião. É o vinho: ele prova que algo pode ser gostoso sem gordura de qualquer tipo, acréscimo de açúcar, sódio, colesterol. Lembre-se, para cada taça de vinho, um copo de água. E em cada taça, apenas um terço da bebida. Não encha até a borda. Entenda o crítico de vinho como uma espécie de GPS, nem sempre atualizado: pode ou não pode levar você para onde pretende ir.
Numa pesquisa online, a revista Decanter pergunta se a Pinot Noir é maior variedade de uva. O usuário do site pode votar nas seguintes possibilidades:
1) Certamente: nada pode igualar à sua
qualidade;
2) É a melhor quando no seu auge, mas há um
bocado de impurezas;
3) Não, a Cabernet Sauvignon é a rainha. Onde
estaríamos sem ela;
4) É impossível escolher apenas uma
variedade.
Até esse momento, 4ª. feira, a resposta vencedora, de goleada, era a quarta, com 48% da votação. Vinho é isso mesmo: não vamos ficar com a doença do Miles (no filme Sideways), que não aceita outra uva, para ele só servia a Pinot Noir. Vinho é a possibilidade de variarmos, de estarmos sempre experimentando.
Bom carnaval, amiga. Se for comprar vinho num posto de gasolina, não beba no carro.

7.2.10

Um monte de mistérios

O dentista saiu de manhã cedinho, a esposa ainda dormia: pegou o seu carro e foi para o consultório. E não voltou mais. Só que seu carro foi encontrado de volta na garagem. O homem se evaporou e o delegado Espinoza é chamado para resolver mais esse caso.
Numa outra história, um matador de aluguel encomenda vinhos alemães pela Internet: seleciona brancos com a uva Riesling e tintos com a Spätburgunder (nome da Pinot Noir na Alemanha), tudo para acompanhar um Eisbein, joelho de porco, feito pela namorada, alemã como o Eisbein.
Já um detetive americano lamenta o “assassinato” de um bom champagne, ao qual é misturado açúcar, Angostura, casca de limão e água mineral gasosa (“o que é acrescentar horror ao homicídio”).
Sou influenciada por tudo que leio. Vivo lendo e aprendendo. Leio novelas, contos, ensaios, embalagens de cereais, jornais, revistas e até, acreditem, discursos de políticos. Não tenho dúvidas de quem escreve é influenciado pelo que lê. No nível consciente, podemos ficar entediadas com facilidade, mas subconscientemente somos como uma esponja gigantesca, perpetuamente descobrindo e armazenando fatos que, eventualmente, serão utilizados. Foi o que aconteceu recentemente ao ler dois novos livros novos e relido um terceiro e a minha esponja subconsciente não deixou escapar menções às bebidas, aos vinhos em particular.
Origamis. O caso do dentista está no mais recente livro de Luiz Alfredo Garcia-Rosa, O Céu de Origamis, 2009, Companhia das Letras. Garcia-Rosa me encanta desde a sua primeira novela policial, “Silêncio da Chuva”, onde nos apresenta o seu mais notável personagem, o Inspetor Espinosa, então lotado na delegacia da Praça Mauá, no centro do Rio. Mas, em oito romances, tornou-se o mais respeitado policial de Copacabana, onde se passa a trama dos origamis. Espinosa é um grande leitor: as paredes de seu apartamento no Bairro Peixoto, estão atulhadas de livros, ler é seu grande passatempo. Espinosa é um tanto melancólico, rígido na rotina de vida que leva. Só nos fins de semana é que admite uma namorada de anos em seu apartamento. E as bebidas? Pois elas aparecem ao sabor daquela rotina, sem maiores complicações. Espinoza gosta de beber seu vinho: quando os tem em casa, ficam na geladeira mesmo. Os compra para o dia-a-dia. Não tem pretensões: bebe vinho (assim como cerveja) de acordo com a ocasião e gosto. E é essa vidinha simples, rotineira, interrompida apenas pelos casos que é levado a elucidar, que nos encanta. Saímos do livro de Garcia-Rosa com saudades das caminhadas de Espinosa por Copacabana, das suas viagens de metrô, dos botecos que freqüenta, do árabe da Galeria Menescal, das trattorias de Copacabana, da sua cadeira preferida no apartamento, dos congelados que consome. Enfim, uma vida como a de qualquer mortal. E os vinhos são incorporados à narração com essa simplicidade: casualmente, sem deslumbramentos, ao sabor de nossos gostos, apenas para acompanhar uma conversa ou uma refeição. E não porque vão nos diferenciar dos demais seres humanos, nos colocar numa escala superior da evolução. Ou porque fazem bem à saúde.
Um especialista. No segundo livro, O Seminarista, de Rubem Fonseca, 2009, Agir, o protagonista é um matador de aluguel, conhecido como o Especialista. Tal como Espinosa, gosta dos livros, principalmente poesia, e também dos filmes e das mulheres. Zé, o nosso matador, abusa de citações, a maioria em latim, que toma o cuidado de traduzi-las. Cita Horácio, Cícero, Plínio, o Velho, Sêneca, Camões, Salomão, Propércio, São João Crisóstomo, Petrarca, Lima Barreto, Virgílio, Bruce Chatwin, Keats, Terêncio, São Jerônimo, Salustio, Petrônio. A lista é grande. O ex-seminarista, parece, é um expert em vinhos. Ao visitar uma socialite, que lhe oferece vinho (“Tenho vinho tinto, vinho branco, rosé –“), comenta que o rosé “já teve seu tempo de glória, mas agora...”
Estranho: sim, os rosés tiveram seus tempos de glória, mas voltaram há uns dois anos com muita força, estão vivendo uma verdadeira renascença, em todo o mundo. Um estudo recente da Nielsen, publicado pelo Conselho do Vinho da Provence, mostra que, mesmo debaixo de grande recessão, a importação dos rosados para os EUA cresceu 28% ano passado. Essa categoria é liderada pela França, especificamente, a Provence. As exportações de champagne rosé cresceram 32% no ano passado nos EUA. O rosé deixou de ser o primo pobre dos vinhos. Voltou à moda, aos bons tempos do Mateus Rosé. Talvez porque combine com tudo, de frutos do mar, a carnes, de pratos picantes a saladas e inclusive churrascos (principalmente, os secos). Isso sem contar com sua delicada cor, seus aromas e sabores. E, sobretudo, com seu poder de refrescar,
Num outro trecho, a namorada alemã do Especialista, comenta que os alemães, agora, “como todo mundo, tomavam mais vinho tinto do que branco...” Motivo: as teorias segundo as quais os vinhos tintos possuem potente ação antioxidante. “E ainda o resveratrol, responsável por efeitos anticancerígenos...”
Ora, quando morei na Alemanha, os brancos representavam 70% do consumo de vinhos. Hoje, segundo estatística do Instituto Alemão de Vinhos, os brancos somam 61,2% do mercado e os tintos 38,8%. Veja o quadro completo aqui.
Talvez a namorada tenha se confundido com o fenômeno conhecido como “Paradoxo Francês”, quando nos anos 90 dois cientistas descobriram a razão pela qual os franceses tinham muito menos problemas cardíacos do que os americanos e japoneses, mesmo com uma dieta riquíssima em gordura. O vinho tinto seria o responsável. A partir de então, as vendas dos tintos dispararam e eles passaram a ser os mais consumidos.
Enfim, o que vale é que Rubem Fonseca continua como um dos mestres da narrativa. A trama é imperdível e nos segura até o final. Mas se eu fosse a editora, tomaria alguns cuidados. Afinal, o protagonista é especialista mesmo em matar.
Champagne. O terceiro livro, Champagne for one, é mais uma novela de Rex Stout, o criador de Nero Wolf e Archie Goodwin, detetives particulares. O primeiro é um gênio, que não sai de sua casa em Manhattan, cercado de milhares de orquídeas, além de uma cozinha que o melhor dos restaurantes de Nova York teria condições de igualar. A casa é habitada pelo jardineiro, Theodore Horstmann, a babá das orquídeas; por um chef, Fritz Brenner; e pelo secretário de Wolf, Archie Goodwin. Já que Wolf prefere ficar em casa, com suas orquídeas, seus livros, seus pratos elaborados e matutando sobre os problemas criminais que lhe trazem, Archie representa as suas pernas. É o que sai atrás de pistas e suspeitos.
Nessa novela, Archie Goodwin tenta provar que o suicídio aparente de uma socialite foi na verdade um assassinato. Quando isso aconteceu, Archie estava numa elegante festa, na mansão de uma milionária. Cínico e respondão, ele começa por criticar o coquetel de champagne, como vimos acima. O champagne é nada mais nada menos do que o Cordon Rouge, um dos mais famosos e veneráveis espumantes do mundo.
Wolf praticamente só bebe cerveja e Archie leite. Apesar disso, sabem das coisas. Num almoço oferecido ao cliente (Wolf cobra caro e não aceita qualquer caso) que o contrata para resolver a morte na festa, o detetive revela logo o prato principal: fricassé de mexilhões, salsa, cebolinha, champignons, tudo feito no vinho xerez. E Wolf oferece vinho branco, o que é aceito. Dificilmente, a escolha do vinho seria diferente.
Vivo relendo os mistérios de Nero Wolf: ele representa uma espécie de alívio para esse mundo corrido que levamos. Não é tanto o elemento criminal que me encanta, mas em particular o estilo de vida levado pelo genial detetive. De certa maneira, é o mesmo elemento que me encanta no Espinosa. A casa, seus hábitos, sua rotina. Essas coisas que só damos valor quando estamos longe de nossa cozinha, quarto, da cadeira preferida etc.
Da Adega
Confraria exclusiva. Pois a Confraria Carioca é agora a representante exclusiva da importadora KMM, a maior importadora de vinhos australianos no Brasil, oferecendo rótulos de todas as regiões daquele país, o que compreende vinícolas premiadas internacionalmente, como a Yalumba, Giaconda, Sandalford, Jim Barry, Petaluma, St Hallett, Tatachilla, Brokenwood, Stonier, Westend e Hope Estate. Dê uma conferida na loja da Confraria em Botafogo e não deixe de refrescar-se no seu wine bar.

29.1.10

É aqui mesmo

Pelo que sei, a Coca-Cola, da sua sede às suas afiliadas, foi das primeiras empresas do segmento de bebidas a enviar auxilio ao Haiti, tanto em dinheiro como em água potável e sucos que fabrica, como também convidando os consumidores a doar recursos à Cruz Vermelha. Numa campanha interna, seus funcionários estão sendo motivados a ajudar os haitianos. (Veja mais no site da empresa.)
Nos Estados Unidos e em vários países da Europa, vinícolas estão também enviando ajuda, através principalmente de leilões de vinho (o dinheiro arrecadado é enviado para alguma agência especializada ou ONGs.
E os outros segmentos? Nos Estados Unidos e em vários países do Hemisfério Norte registrei a movimentação de várias vinícolas em direção à solidariedade para com o que está acontecendo com o Haiti. Vinícolas, colecionadores e até simples consumidores estão enviando rótulos que consideram valiosos para leilões, cujos resultados serão enviados para o país caribenho. Não apenas as vinícolas, como também restauradores, a imprensa especializada em vinhos estão em campanha.
Soube agora que um bar de Goiânia, o Moon Beer House, está promovendo um show musical ao preço de 2 quilos de alimentos não perecíveis, que serão enviados ao Haiti. É o SOS Haiti, que acontecerá hoje, quinta-feira.
Tenho certeza empresas de todos os setores estão fazendo como a Coca-Cola. Mas sua ação não está sendo visível, ou tão visível quanto à da Coca. Talvez eu não tenha ainda percebido. Enfim, todos os segmentos devem ajudar de alguma maneira e não apenas do de bebidas. Mas foi essa a que, no setor privado, a primeiro a se mostrar visível. E visibilidade nesse caso é importante pela motivação, pelo exemplo, fazendo de uma marolinha uma grande onde, um tsunami de solidariedade. O que faz um time, uma companhia, uma sociedade funcionar é o compromisso individual ao esforço de um grupo.
Não deixe de ajudar, leitora. Você aí entusiasta de vinhos, junte outros fãs da bebida, promova um, dois, vários leilões. Cada participante oferece uma garrafa e o leilão acontece. O dinheiro arrecadado pode ser enviado para qualquer um dos endereços abaixo.
Nunca a frase “Um por todos, todos por um” foi tão oportuna. Alexandre Dumas e seus mosqueteiros sabiam que se não formassem um time solidário jamais poderiam vencer o terrível Cardeal. E agora temos que nos unir para tentar fazer com que um povo, o mais pobre do Ocidente, que já sofreu das piores calamidades, políticas e naturais, fique de cabeça em pé.
Celebridades como a supermodelo Gisele Bündchen, Madonna, Sandra Bullock, o casal Angelina Jolie e Brad Pitt já enviaram quantias não menores do que um milhão de dólares. George Clooney produziu e apresentou um programa, “Hope for Haiti Now”, exibido em 33 emissoras de TV americanas, e conseguiu arrecadar US$ 57 milhões. Li que usuários das redes sociais no Brasil estão enviando ajuda também.
O estado brasileiro, que há seis anos faz um trabalho elogiável de manter a paz no país, como líder da força da ONU lá instalada, agora se suplantou, descansado seus fuzis e levando água e comida para a população desesperada, além de enviar um treinadíssimo contingente de bombeiros
Agora, é a nossa vez. Aliás, acho que é um dever de cada um de nós: solidariedade para com os fracos, doentes, aqueles em desespero, expressa pelo desejo de dar um sentido nobre e humanitário para uma comunidade.
Se virarmos às costas para esse indescritível desastre e para esse povo mais do que sofrido, podemos ter certeza que o Haiti é aqui mesmo.
Você pode enviar ajuda, entre outras entidades, para:
Embaixada do Haiti no Brasil
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1606-3
Conta Corrente: 91000-7
CNPJ: 04170237/0001-71
Care Internacional Brasil
Banco: ABN Amro Real
Agência: 0373
Conta corrente: 5756365-0
CNPJ: 04180646/0001-59
Comitê Internacional da Cruz Vermelha
Banco: HSBC
Agência: 1276
Conta Corrente: 14526-84
CNPJ: 04359688/0001-51
ONG Viva Rio
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1769-8
Conta Corrente: 5113-6
CNPJ: 00343941/0001-28
Ou para Médicos Sem Fronteiras.

21.1.10

Espantando o calor

Canícula, vejo no dicionário, se refere a Sirius, a estrela mais brilhante da constelação do Cão Maior. Seu nome latino é justamente “canicula”, pequeno cachorro. Vem do latim e simpaticamente significa “cadelinha”, é a principal estrela da constelação do Cão Maior, ou Sirius. Quando ela aparece, é sinal que o sol está mais próximo da terra. É o fim: calor escaldante, tórrido. Está fazendo 40º, mas a sensação é de 50º.
Diante disso, minhas preferências vão para os sucos. É a melhor alternativa para o álcool. Calor à parte, ficamos entupidas de álcool com as comemorações de fim de ano. Diante de nós, temos o carnaval, com mais tentações alcoólicas. Nada melhor do que dar um tempo e buscar alternativas aos destilados, à cerveja e ao próprio vinho. Eu faço isso com sucos e mais sucos, de fruta e de vegetais. Eis aqui algumas receitas que, além de serem deliciosas, possuem outras e importantes qualidades.
1. Antioxidante: cenoura, beterraba e pepino.
Dá um belo suco, com um vermelho profundo: li que a beterraba ajuda a reduzir a pressão do sangue e é rica em betanina (um poderoso corante natural e também antioxidante).
Pegue uma beterraba, duas cenouras e meio pepino. Lave-os bem, pique-os e leve-os para o liquidificador. Ou para o processador. As eventuais partes sólidas podem ser peneiradas. E pronto.
2. Bom para a pele: maçã, limão e água mineral com gás.
Duas maçãs e uma rodela de limão (mas do meio da fruta; as extremidades têm muita casca).
Faça um suco com as duas maçãs, acrescente a rodela de limão sem a casca. Junte tudo numa jarra e, no final, acrescente a água mineral gasosa. Bom para a pele porque as maçãs são ótimas para ela e para a nossa digestão.
3. Bom para resfriados: cenoura, laranja gengibre.
A cenoura e a laranja são ótimas para o nosso sistema imunológico. O gengibre é utilizado medicinalmente há muito tempo: ele nos alivia de resfriados, de gargantas inflamadas. E, nesse suco, atenua a doçura da cenoura. É um suco com uma ótima cor rubra e rico em antocianinas, responsáveis por grande variedade de cores nas frutas e vegetais e também por protegê-los. São poderosos antioxidantes.
Use duas cenouras, um rizoma (o caule) do gengibre (de tamanho médio) e uma laranja. Faça sucos separados de tudo isso. Mexa bem antes de beber.
4. Bom para ressaca: laranja, gengibre, banana e mel.
O popular Blood Mary (sem a vodca), com seu molho inglês e Tabasco me acaloram. O suco de tomate de faz inchar. Ele é melhor no inverno. No verão, prefiro uma laranja com sua vitamina C, uma banana com a vitamina B, mais o potássio (que perdemos pelo efeito diurético do álcool e serve como redutor de pressão), o gengibre para acalmar o estômago e a frutose do mel para colocar um pouco de açúcar no sangue, ajudando a equilibrar a pressão. Se, além disso tudo, adicionarmos um ovo (clara e gema), vamos estar fornecendo cisteína, um poderoso aminoácido que nos ajudará a limpar nosso sistema de toxinas. Mas use o ovo só em desespero de causa.
São duas laranjas, uma banana, uma raiz de gengibre (tamanho de um dedo polegar), uma colher das de chá de mel.
Esprema as laranjas e coloque seu suco num liquidificador com a banana e com o gengibre (devidamente ralado) e o mel. Bata até que fiquem cremosos. Utilize água filtrada se quiser o suco menos denso.
5. Bom para desintoxicar: brócolis, espinafre e abacaxi.
O espinafre é um reputado purificador, os brócolis é o nosso conhecido super vegetal: é rico em vitaminas C, K e A, além de fartíssimo em fibras. Contém também nutrientes com propriedades anticancerígenas, como o diindolylmethane e o selênio (que estou agora consumindo bastante: um antioxidante ótimo para alguns problemas da vista). O abacaxi entra aqui para adoçar, atenuar os sabores potentes do espinafre e dos brócolis, além de auxiliar na digestão.
Uma fatia de abacaxi (de uns 5 centímetros) cortada em pedaços, um molho de brócolis (pode utilizar o vegetal inteiro (tudo nele é comestível), um molho de espinafre. Faça um suco de tudo isso (ou esprema, leve ao liquidificador ou processador). Junte água se achar muito espesso.
E para acompanhar? Pipoca: espantei-me quando soube que a pipoca é um rico antioxidante, assim como as frutas e os vegetais. Um químico americano, Dr. Joe Vinson, descobriu que a pipoca (ou o milho da pipoca) oferece polifenóis em altos níveis. Os polifenóis pertencem a um grupo de elementos químicos encontrados em frutas, vegetais e outras plantas, como azeitonas, folhas de chá e nas uvas. São antioxidantes, em constante trabalho de remover de nosso sistema os tais radicais livres, que podem danificar células sadias e tecidos em nosso corpo.
Acontece que o efeito desses polifenóis é dez vezes maior do que as vitaminas C e E.
O Dr. Joe Vinson é professor do Departamento de Química da Universidade de Scranton, Pennsylvania. EUA. Ele explica que pesquisas recentes demonstraram que esses polifenóis, em grãos como os do milho da pipoca, possuem antioxidantes em quantidades comparáveis às das frutas e dos vegetais. Ele ensina que, entre os petiscos salgados, é nossa popular pipoca quem possui a maior quantidade de antioxidantes por grama. Seu trabalho foi apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Química.
Portanto, se quiser acompanhar esses sucos com um petisco também saudável, não se esqueça da velha pipoca. E, pronto, você já está razoavelmente abastecida, com sabor e qualidade, para espantar esse calor de cão, nome que tem origem na mesma constelação do Cão Maior, na estrela Sirius, a “cadelinha” que está agora promovendo toda essa canícula.

12.1.10

A viagem do professor Nutt

Um cientista inglês está criando um substituto para o álcool. Quando pronto, evitará a embriaguês e a vizinha ressaca. Esse álcool-sem-álcool poderá, segundo consta, reproduzir até aquela agradável leseira, a sensação de relaxamento que anuncia a embriaguês. E tem mais: se a pessoa ficar muito aparvalhada, bastará tomar uma determinada pílula para que fique ligada novamente, sóbria como nunca.
Trata-se de um álcool sintético desenvolvido a partir de elementos químicos parentes próximos do Valium, o famoso tranqüilizante cujo princípio ativo é o diazepam. A matéria que eu li e inspirou essa coluna (veja aqui) diz que esse novo formato de Valium agirá sobre nossos nervos de modo a garantir a sensação de bem-estar e relaxamento.
Paciente leitora, acredite: com essa notícia eu me revelo uma profetisa, uma adivinha. Em outubro de 2006, publiquei aqui uma matéria sobre um vinho sintético que era consumido pelo Capitão Picard, comandante da nave estelar Enterprise, na celebrada série Jornada das Estrelas. Naquele mundo ficcional, Picard nascera e fora criado no vinhedo de sua família, na França. Pertencia a uma família de vinicultores, que lamentava pelo famoso filho renegar o produto legítimo e preferir o vinho sintético, interestelar, feito com uma substância chamada de “synthehol”, cujos efeitos intoxicantes eram todos ilusórios e não químicos. Na época, eu falava de transgênicos, de clonagens, tendo como referência um futuro de ficção científica.
Agora, tentam fazer com que a ficção vire realidade - graças ao engenho do Professor David Nutt (e a por um time do Colégio Imperial de Londres), tido como um dos maiores conhecedores de drogas da Inglaterra, conselheiro governamental para matérias envolvendo desde maconha à ecstasy. Pois Nutt está criando um novo “synthehol”, mas os tais efeitos intoxicantes não são nada ilusórios e totalmente químicos.
“Synthehol” é um neologismo, fusão de duas palavras: “sintetizado” e “álcool”. Teria as mesmas características do álcool, mas sem os efeitos prejudiciais da intoxicação, vício etc.
O professor Nutt imagina um mundo no qual as pessoas possam beber sem ficar bêbadas. “Não importa quanto copos tomem, essas pessoas continuariam num agradável estado inebriante e, ao fim de uma noitada, os festeiros poderão tomar uma pílula de “sobriedade” e dirigir em segurança para casa”.
O objetivo final, claro, é substituir o conteúdo de álcool em cervejas, vinho e destilados pelo novo etanol (ou o nome que venha a ter a droga).
Por outro lado. A matéria não diz como é que essa substituição será feita. Imagino que não vão fazer um suco de uva e adicionar um xarope de Valium. Ora, suco de uva tem sabor de uva. O vinho é rico em sabores e aromas. Vai ver vão desconstruir vinhos, cervejas e destilados, usar uma dos muitos processos para a retirada do álcool e em seguida utilizar uma poção de diazepam. O que equivale dizer que vão ter que tirar a espinha dorsal das bebidas alcoólicas, vão acabar com o espírito delas, que é o álcool. Não é à-toa que “spirits” (literalmente espíritos) também designam bebidas alcoólicas em inglês.
O álcool, nome comum do etanol, é o mais potente componente dos vinhos, cervejas e destilados. Sem sabor e cor, tem efeitos importantes, não apenas em nosso sistema nervoso. Sabores e aromas nos vinhos, pelo menos, dependem do álcool. É ele que vai equilibrar elementos vigorosos como os taninos e os ácidos. O álcool é fundamental na longevidade do vinho, realça qualidades e permite que a bebida nos forneça camadas e mais camadas de sabores e aromas.
Durante o processo de fermentação o álcool entra em contato com alguns dos ácidos da uva e produz ésteres que resultam nos aromas e sabores do vinho. Do abacaxi ao cassis, esses ésteres são um subproduto do álcool.
Como solvente orgânico, o álcool ajuda a extrair cor e os chamados fenóis das cascas das uvas durante a fermentação. Também retira sabor do carvalho dos barris. (Esses fenóis são componentes químicos que englobam muitos pigmentos de cor, os conhecidos taninos e numerosos itens de sabor). E além de tudo isso, o álcool dá estabilidade à bebida, em particular a microbiana, o que resulta não sua proverbial longevidade. Tudo isso e mais alguns e importantes benefícios à saúde. Uma bebida sem álcool é como um trapezista solto no ar, sem rede ou sem as mãos de seu parceiro.
O vinho sempre serviu de escada para muita beberagem. Uma delas é a própria Coca-Cola. Em meados do século 19, os chamados “vinhos tônicos” começaram a ganhar popularidade. Eram basicamente uma mistura de vinho “fortificado” com álcool etílico e folhas de coca, a planta sul-americana da qual deriva a cocaína. Um xarope que promovia um “arranco”, um “quique” nos consumidores. Eram vendidas como estimulantes. Na época, o Vin Mariani chegou a ser a marca mais famosa, elogiada até pelo papa e pela rainha Vitória. Mas foi a versão americana que sobreviveu: criada em Atlanta, Geórgia, pelo americano John Pemberton, com o nome de “French Wine Coca”, misturava folhas de coca, noz de cola e damiana, além do etanol. Em 1885, leis locais forçaram Pemberton a criar uma versão não alcoólica e menos Comando Vermelho. De lá pra cá, o vinho de Pemberton, vendido como remédio em farmácias, transformou-se no refrigerante mais consumido do mundo.
Mas o vinho do professor Nutt não tem nada de refresco. E tem tudo para ficar com essa imagem de medicamento, cheio de elementos químicos, sedativos, cujos efeitos sobre nós ainda não foram estudados.
Ah, se não contém álcool só pode ser bom. Em seu lugar, entra um sossega-leão que todo mundo conhece. Até a vovó pode tomar para dormir melhor. Vão dizer que os benefícios do vinho para a saúde (aqueles que o etanol ajudou a promover) continuam na bebida, só que dentro da garrafa eles não vão saber onde se encontrar. Poderemos num jantar tomar algumas garrafas. Basta não nos esquecermos da tal “pílula da sobriedade”.
Será um crime chamarmos essa nova bebida de vinho, caso o “invento” do Dr. Nutt venha à luz algum dia. Afinal, qual a diferença entre ficar bêbada com álcool ou com Valium? O acidente com o carro será diferente? Quem esquecer a tal pílula da sobriedade em casa será punido? Haverá um bafômetro especial para os novos bebuns, para quem se enxaropou com Valium? É intrigante que uma solução para os excessos do álcool já nasça com uma "pílula da sobriedade". Será que essa gente acha que ao bebermos duas taças do vinho (o produto natural), não podemos ficar em paz, serenas, relaxadas? Ou vamos logo mostrar a bunda na janela do carro?
Quer saber, NUT em inglês pode ser noz, mas também insano. O Nutt do professor inglês, com dois tês, talvez indique que ele seja duplamente lelé.
Responsabilizam o álcool por um problema social. O problema que o professor inglês quer resolver é o do excesso de álcool. E ele pretende resolver isso com um excesso de diazepam. Existem leis para os abusos de qualquer ordem, excessos comportamentais, no trânsito etc. Façam com essas leis sejam cumpridas e punam os infratores. Pelo que se lê, o programa Lei Seca vem dando certo, mas o índice de acidentes continua altíssimo em nossas estradas. A culpa é do álcool ou do buraco? Ou da estrada construída sob encostas que sempre desmoronaram? Ou de quem não tampou o buraco? Ou de quem construiu a estrada? Qual a solução para o excesso de desmazelo nas coisas públicas? Algum xarope criado em laboratório?
O importante é não deixar que deformem bebidas que estão entre nós desde os primórdios da humanidade. Vinhos, cervejas e destilados nunca se apresentaram como remédios. Uma ou outra vez foram utilizados como tal, porém, sem que jamais tenham sido descaracterizados.
Acho que o professor Nutt está viajando, não na Enterprise, mas na maionese. Em vez de jaleco deveria estar usando uma camisa de força.
Da Adega
Viña Ventisquero mais sustentável. A vinícola chilena, a única no país a possuir os certificados de qualidade e meio ambiente, além de pagar voluntariamente pela emissão de CO2, acaba de firmar um segundo Acordo de Produção Limpa com a Corporação Chilena de Vinho e várias entidades do governo. O objetivo é não só cumprir todas as normas ambientais vigentes e adicionar elementos a projetos que ainda não são lei.
Os vinhos Ventisqueiro, que chegam ao Brasil através da Cantu Importadora, com rótulos famosos como o Pangea, o Grey e o Queulat.
A maré do verão. Ela é refrescante, deliciosa. E rosada. Em todo o mundo, os vinhos rosés estão em alta. Se existe um setor que nada sofreu, pelo contrário, só fez vender mais, foi o dos vinhos rosés, em particular aqueles da Provença – ou da sua terra natal, pois é de lá que vêm os melhores espécimes de rosados. Até drinques com o rosé ganharam o mundo. O Piscine, por exemplo, que só freqüentava Saint Tropez, agora é servido nos bares mais sofisticados dos quatro cantos do mundo. O Piscine, como o nome diz, é rosé provençal servido numa grande taça de vinho com 7-8 pedras de gelo.
No Brasil, os vinhos da Provence podem ser encontrados em mais de 20 importadoras. Confira abaixo alguns dos rótulos:
- Cep d'or (Rosé 2007) - Celebrity Importadora, R$70
- Château Deffends (rosé 2008) - Le Tire Bouchon, R$68
- Château de Pourcieux (rosé 2008) – Cantu, R$65
- Coste Brulade (rosé 2008) - Casa Nunes Martins, R$41 (Rio), R$51 (SP)
- Domaine de Fontlade (rosé 2008) – Cave Jado, R$53
- Domaine de Pontfract (rosé 2008) - KB-vinrose, R$58
- Domaine Sorin (rosé 2008) – Decanter, R$62
- Provence One (rosé 2008) - Le Tire Bouchon, R$68
- Rimauresq (rosé 2008) - Enoteca Fasano, R$136
- Saint Roch (rosé 2008) - Le Tire-Bouchon, R$49
- Saint Sidoine (rosé 2007) – Mercovino, R$65
Saiba mais, inclusive os endereços dessas importadoras, no site
Vins de Provence. E aproveite essa maré.
Vinhos Pontuados. A propósito da Cantu: a adega da importadora já conta com vinhos cotadíssimos da chilena Ventisquero (veja acima), como o Pangea (eleito como o melhor Syrah do Chile) e mais quatro rótulos da portuguesa Quinta do Valado (Douro Reserva 2007, Touriga Nacional Douro 2007, Douro 2007 e Sousão Douro 2007), além do Ben Marco Expressivo 2007, da argentina Dominio del Plata. Saiba mais no site da
Cantu.

7.1.10

As etiquetas

Pego uma carona no que resta do clima de festas para comentar sobre a chamada etiqueta do vinho. Uma amiga reclama que trouxe uma garrafa para o dono da festa e ele nem a abriu. Outra emenda que ia trazer um vinho, mas não sabia qual a preferência do anfitrião e desistiu. A ordem das taças na mesa está correta para umas e erradíssima para outras. E as taças, são apropriadas para os vinhos que serão servidos? Como sou aquela que “entende” de vinhos, viro um imã. Aproveito o espaço para desmagnetizar:
Sabemos que essas regras, essas formas cerimoniais mudam com o tempo e variam de lugar para lugar. Em São Paulo, vale só um beijo na face. Já no Rio e em Paris, dois são indispensáveis. A Polônia exagera: são três. No século 19, na França, uma carta comercial terminaria mais ou menos assim: “Je vous prie de bien vouloir agréer, Monsieur, l’expression de mes sentiments distingués” (mais ou menos, “Rogamos que bondosamente aceite, senhor, a certeza de minha mais alta consideração”). Hoje, encerraríamos com um simples (mas ainda cerimonioso), “Respeitosamente”. Nessa era da internet bastam reduções como “Bjos”, “Bye”. A idade da “Vossa Excelência” caducou e hoje vivemos tempos mais igualitários, com a afabilidade desbancando a formalidade: até um presidente é tratado, dentro e fora do seu palácio, por um simples apelido. E quando começamos a conquistar postos de trabalhos antes reservados aos homens o tratamento mudou de vez. Recusamos ser chamadas de Sra. ou Srta. Silveira ou Dona Gomide. Não, deixamos de ser o sobrenome do pai ou do marido.
Nos tempos da rainha Vitória, era problemático oferecer presentes. Se você levasse flores, o anfitrião entenderia que você achava seu jardim um lixo!
O mesmo acontecia se você chegasse com uma garrafa de vinho, o que implicaria que a adega do dono da festa estava vazia ou que o mais reles pé-sujo tinha rótulos melhores. Ofensa grave. Agora, não. O indispensável é que não cheguemos de mãos vazias.
Se conseguir apurar direitinho e levar um vinho sabidamente apreciado pelo anfitrião, muito bem. Porém, não se espante se a garrafa for posta de lado e você nunca mais ouvir falar dela. Ora, o vinho foi um presente, o dono da festa é quem decide o que fazer com ele, não tem obrigação de bebê-lo imediatamente. Se quiser que ele abra, informe que trouxe uma garrafa especial que gostaria de saboreá-la com os demais convidados. Em eventos como jantares, é mais comum que os vinhos presenteados entrem na fila para serem degustados.
Muitos anfitriões, embora não obrigados pela etiqueta a fazê-lo, abrem as garrafas temendo desagradar um convidado tão benévolo. Ou simplesmente podem se desculpar: já escolheram os vinhos a serem servidos, a comida a ser servida não combinará tão bem com o que foram presenteados; preferem guardá-lo para uma próxima ocasião.
Às vezes, um item como o da religião pode implicar em problemas de etiqueta. Uma amiga não judia foi convidada para a ceia da Pessach, da Páscoa, a mais importante festa judaica, que celebra a libertação dos judeus da escravidão no Egito. Estava em dúvida se deveria levar um vinho. Ora, o rito religioso nessa festa implica em que os presentes bebam quatro taças de vinho. Logo, uma garrafa a mais não seria má idéia, disse. Observei, contudo, que o vinho deveria ser “kosher”, ou seja, “apropriado”, “próprio” para ser consumido segundo as leis dietéticas judaicas, o “kashrut”. Do momento em que as uvas são prensadas até o engarrafamento, essas mesmas leis proíbem que o vinho seja tocado e, em certos casos, até mesmo visto, por um não judeu ou por algum judeu não religioso. Para garantir essas leis, as vinícolas kosher empregam apenas “haredim” (ou “haredi”), judeus ultra-ortodoxos, observantes rigorosos do Torah.
Recomendei que comprasse um vinho kosher, marcado como “mevushal” no rótulo: ele pode ser manuseado por qualquer pessoa e ainda assim permanece kosher, pois foram pasteurizados como parte de um ritual para proteger sua integridade religiosa. Não é muito fácil encontrar esses vinhos por aqui, mas acho que a minha amiga se saiu bem. Ela comprou um vinho espanhol (se não me engano, o Flor de Primavera) e disse que ninguém reclamou.
Quanto às ordens das taças: é item importante apenas num jantar formal. Comece pela taça de água, que deverá ficar à direita, bem diante de sua faca. As taças de vinho partem daí, da esquerda (da taça de água) para a direita, seguindo a ordem dos talheres. Então, temos: a taça de água, as taças de vinho branco e a taça de vinho tinto. Mas atenção: essa é a ordem que eu mais vejo praticada. Pode ser que você encontre tudo às avessas: as taças fiquem alinhadas na frente do prato, da direita para a esquerda. Fico prestando atenção no que os outros convidados fazem e os imito. Sem dramas.
Quanto às taças: as de champanhe: você sabe que agora não usamos mais as vitorianas, aquelas bojudas (modeladas, segundo a lenda, nos seios de Maria Antonieta). Foram abolidas por oxigenarem demais o espumante: a efervescência logo se perdia. Agora de rigueur são as flutes, com as hastes longas e os corpos bem delgados, elegantes, justo para que as bolhas não se percam logo. As de vinho branco são menores que as do tinto, para melhor concentrar seus aromas. A do tinto justamente para ajudar a liberá-los. Em todas, do espumante, do tinto e do branco, a boca é mais estreita que o corpo para concentrar os aromas.
Em tempos passados, ficaríamos perdidas em repetir um prato ou uma simples xícara de chá. Será que a etiqueta permitiria aplacar minha fome, minha sede? O que fazer? Qual a regra nesses casos?
Etiqueta é uma palavra de origem francesa, originária de estiquette, rótulo, logo adotada para definir os costumes ou regras de comportamento tidas como corretas ou aceitáveis na vida em sociedade. É uma convenção muitas vezes não escrita de um código ou prática seguida até por grupos profissionais, como o dos médicos ou de jogadores de futebol.
Ela muda, tal como as modas. Veja, na década passada os carros prateados eram absolutos. Os pretos eram reservados apenas para os carros oficiais. Agora, eles começam a ganhar terreno e estão virando moda, novamente. O mesmo com as bicicletas, um transporte popular apenas entre os chineses, agora tido como grande solução para o caos do transporte urbano. Li que, além dos alemães e holandeses, os italianos (os milaneses, em particular) estão desistindo de seus carros e começando a pedalar. Já pensou, italiano deixando o carro na garagem? Falam que os restaurantes, mesmo os mais finos, estão abandonando aqueles menus de dezenas de páginas, por cardápios mais simplificados, com prato do dia e mais umas poucas opções. Faz sentido, os bolsos também ficaram mais magros.
Pode estar certa de que existirão regras – ou etiquetas – para que possamos fazer das bicicletas nosso principal veículo de transporte (a natureza agradeceria). Pode ser até que as taças de vinho desapareçam e sejam substituídas por simples canecos. Quem sabe? Em tempos mais remotos era assim que se bebia vinho. E todo mundo gostava. O que não deve ser mudado é a nossa disposição de tocar pra frente, em paz, com alegria, fazendo amigos. Vamos participar das festas descontraidamente. Caso machuquemos a etiqueta e fiquemos numa saia justa, entre Oops!! e etas!!, basta um pedido de desculpas e seguir adiante. 2010 mal começou. E, pronto, desmagnetizei.

31.12.09

O que aconteceu?

Daqui a pouquinho vamos estourar champagne e festejar não só um novo ano como também o início do fim de uma década muito tumultuada. Ela deixou o planeta globalizado, com a internet derrubando barreiras, transpirando tecnologia e modernidade, livre da Guerra Fria, mas ainda sujeito a perigos tenebrosos, como os do terrorismo, dos horrores como os de 11 de setembro, das guerras ainda insolúveis, no Afeganistão e Iraque, e até mesmo de novas ameaças nucleares. Um mundo em que o Brasil, a Índia e a China foram os grandes destaques, como emergências econômicas, embora sem ainda conseguir distribuir melhor o bolo de suas riquezas, com números cabulosos de miseráveis. Um mundo ainda não empenhado em combater o aquecimento do planeta – e que tentará em 2010 recuperar-se da pior crise financeira desde a “Grande Depressão” dos anos 30. Um quadro, até agora, mais para cinza do que para rosa, não é?
E quanto às bebidas, em particular, os vinhos: o que aconteceu de mais notável desde 2000?
O mundo ficou menor. O vinho está agora em todos os cantos do planeta. A China já é grande importadora e crescente produtora. Temos vinhos da Croácia, Turquia, Índia e até do centro-oeste brasileiro (os do nordeste nem precisamos falar). Ainda pensamos que o vinho, que está conosco há milhares de anos, continua preso a tradições, resistente aos ventos de mudança, comuns em outras indústrias ou setores. Nada disso: a indústria do vinho hoje está imersa nos mistérios do marketing, nas estratégias promocionais. Cada um tentando vender o seu peixe.
Os vinhos “verdes”. De repente, começamos a fazer contato com vinhos orgânicos, biodinâmicos, naturais, sustentáveis. Eles estão ganhando cada vez mais espaço, embora sua produção ainda seja modesta. São dos mais bem-vindos acontecimentos da década.
Embalagens. Ainda na trilha de uma preocupação “verde”, em reduzir-se emissões de dióxido de carbono, temos o aparecimento de garrafas de vidro mais leves e das práticas embalagens em tetra pak.
Os Wine Bars. Bares especializados em vinho estão agora em toda a parte. Podem ainda ser poucos por aqui, mas estão ajudando a promover a bebida e tornar seu consumo mais casual, mais natural.
Os rosé. Para o crítico inglês Jonathan Ray, esse período será lembrado pela aceitação dos vinhos rosados. Eles sempre existiram, mas eram coisa do Velho Mundo, em particular das regiões mais quentes da França (Provence, Languedoc-Roussillon). Mas agora saíram do armário e ninguém mais tem vergonha em bebê-los. Enfim, são um sucesso de vendas. Mas por aqui ainda estão na fase do arranco, embora tenham tudo para pegar: além das ofertas de cores e sabores, são, sobretudo, refrescantes, perfeitos para nosso clima.
Novo Mundo. Ainda o crítico inglês: ele destaca o que não se pode esconder: a consagração dos vinhos chilenos, argentinos e os da África do Sul. Vinhos acessíveis, de qualidade. No Chile, o cartão de visita é a Carmenère, embora recentemente a Pinot Noir esteja demonstrando grande potencial. Na Argentina, os destaques são a tinta Malbec e a branca Torrontés. Na África do Sul, onde o destaque recai na Chenin Blanc, o crítico destaque o grande avanço na sua produção e comercialização. Hoje o país é o nono maior produtor de vinhos do mundo (tem 12% do mercado inglês de vinho).
Novas Variedades. E, de repente, uvas até então ignoradas tornaram-se populares: como a italiana Pinot Grigio, a francesa Viognier, a austríaca Grüner-Veltliner, a espanhola Albariño. Por aqui, algumas vinícolas estão nos ensinando a apreciar cepas como a Ancellotta, a Marselan, a Teroldego, ora como solistas, ora como coadjuvantes em surpreendentes blends. Podemos apostar que desde já vamos sair do tradicional círculo formado pela Cabernet, Pinot Noir, Merlot, Chardonnay.
Tampas de rosca metálica. Em 2001, na Nova Zelândia e na Austrália os produtores de vinho começaram a substituir as tampas de cortiça pelas de rosca metálica. O principal motivo alegado era o de eliminar o problema de TCA (2,4,6-Trichloroanisole), um fungo que infectava as rolhas de cortiça, deixando os vinhos com odor de mofado, imprestáveis, um problema que ainda causa grandes prejuízos à indústria (e ao consumidor). O imperador do vinho, o crítico norte-americano Robert Parker chegou a profetizar que até 2015 poucas garrafas ainda utilizariam a cortiça. Acho que as tampas metálicas, perfeitas para vinhos do dia-a-dia, de vida breve, vieram para ficar. Elas são mais práticas e mais baratas que as de cortiça. Porém, a Amorim, o maior fabricante de rolhas de cortiça do mundo, já está garantindo rolhas de cortiça livres do TCA. Não há razão para essas duas opções conviverem pacificamente.
Os franceses. O crítico inglês garante que, apesar de tudo (lembram da “guerra do vinho” iniciada pelo Bush no deflagrar da guerra do Iraque?), ainda estão fazendo o melhor vinho do mundo.
Robert Parker. Jonathan Ray o coloca como um dos “perdedores” da década. Parker foi o criador do sistema de 100 pontos, que todos os críticos adotaram. Mas ele continua supremo como degustador. Uma parte da crítica mundial de vinhos parece que “torce” pela queda desse ídolo. Prefiro torcer pelo aparecimento de um novo grande crítico. Vamos aprender mais ainda.
Vinhos alcoólicos. Alcoólicos, frutados e com muita madeira. Parece que ficaram na moda em razão do próprio Parker, que os prefere dessa maneira – vinhos com até 16, 17% de volume alcoólico. Mas nos últimos tempos, registrou-se uma sensata volta aos 12, 13%.
A crise financeira. Na nossa área, essa crise pode ser resumida assim: que consumia vinho continuou consumindo – só que optando por rótulos mais baratos. A venda por volume até aumentou, apenas o total em dinheiro ficou um tanto reduzido. Para os vinhos, penso eu, a crise está sendo uma marolinha.
Pesquisas. Não passa semana e a imprensa divulga pesquisas sobre vinho e saúde. Isso vem acontecendo desde o início dos anos 90, quando o programa 60 Minutes, da CBS News, fez uma matéria sobre o “Paradoxo Francês”, explicando porque os franceses, adeptos de queijos, manteigas e pratos ricos em gordura, tinham muito poucos problemas cardíacos, em comparação com os americanos. Resposta: porque eram bebedores de vinhos, em particular dos tintos. Essa reportagem fez maravilhas pela indústria do vinho em todo o mundo. E as matérias revelando novas potencialidades dos vinhos para a saúde continuam fazendo o mesmo.
Só que isso vem confundindo os consumidores. Em primeiro lugar, acho que as pesquisas destacam mais a face positiva. O vinho só faz o bem? É um elixir milagroso? A história verdadeira não é bem essa. Por exemplo, ora lemos que o vinho apresenta baixo risco para a degeneração da retina (o que pode levar à cegueira); ora lemos em outra matéria que pesquisas demonstraram que bebedores contumazes têm seis vezes mais possibilidades de desenvolver a pior forma de degeneração macular. Acreditamos em que matéria? (Voltaremos ao assunto.)
Em milênios de história, o vinho vem conquistando cada vez mais público e chegando a lugares os mais improváveis não porque seja um remédio. Se precisarmos de um remédio devemos consultar um médico, não é? Não, amiga, vinho é um prazer.
E é com ele, amigas, que a Soninha aqui espera que festejem o novo ano. Com ele, tenho certeza, vocês continuarão tendo grandes prazeres. Muito obrigada pelas atenções e um felicíssimo 2010.

24.12.09

O direito de ser feliz

Você bobeou e ficou intoxicada. E o excesso de álcool acabou com a sua festa. Com toda essa euforia de festas, do Natal até o réveillon, periga de você tomar um drinque a mais (que você ignora se foram dez a mais), justo aquele que vai entornar o caldo. No dia seguinte, não saiba o que aconteceu. Além do terrível mal estar, aquele enorme peso em sua consciência. Sente-se culpada, só não sabe exatamente de quê. Já sente vergonha de amigos, colegas de trabalho, de vizinhos e parentes.
Reconheço que não é fácil ficar de fora de tanto espumante, tanta cerveja, tantos coquetéis nesse período de festas. Com alguns artifícios, contudo, é possível escapar de problemas com o álcool. De uma maneira ou de outra, já falei disso aqui. É hora de um repeteco.
Eis aqui algumas dicas. Não sou de dar conselhos, não sou dona da verdade. Mas, anos de prática no mundo das bebidas, experimentada em escapar da intoxicação alcoólica, acho que posso falar como não entrar numa fria. Pelo menos, em como tentar evitá-la.
Para começar, vamos esquecer histórias da Carochinha, como a de tomar leite para forrar o estômago ou de tomar café para nos tornar novamente sóbrias. A absorção do álcool pelo nosso corpo varia de pessoa para pessoa. Essa variável compreende desde a quantidade de alimento em nossos estômagos, à composição e o tamanho de nosso corpo, sexo e até medicações que estejamos tomando. Tudo isso importa para o nosso comportamento diante do álcool.
Uma pessoa de 70 quilos ao tomar um destilado (uísque, rum, gim, vodca etc.) de 40% de volume alcoólico produzirá em média uma concentração de 0,02% de álcool na corrente sanguínea (ou 0,6 gramas por litro de sangue). Se a pessoa é mais leve, de uns 60 quilos, a concentração será de 0,03%. Isso para apenas um drinque. Só para compararmos: o Código de Trânsito Brasileiro limita o máximo aceitável de concentração de álcool no sangue em 0,6 g (seis decigramas) por litro de sangue. Ou seja, com apenas um drinque você já atingiu o limite. Em outros países, ele é maior (0,08 nos EUA). No Japão, é zero.
Nosso fígado só pode metabolizar apenas uma limitada quantidade de álcool por hora. Um homem de tamanho médio metaboliza cerca de nove gramas de álcool por hora. Se nesse período bebermos apenas um drinque, certamente vamos ajudar o fígado em seu trabalho de filtragem, de renovação de estruturas celulares, produção de energia e tudo o mais o que se entende por metabolismo.
Agora, se bebermos mais rapidamente, mais de um drinque por hora, o álcool em excesso fica numa espécie de fila, acumulando-se em nossa corrente sanguínea, que passa a funcionar como um depósito, uma adega. Ele estará como num rio, movendo-se e, logo, logo, esse sangue visitará nosso cérebro – devidamente acompanhado pelo álcool em excesso que ficou esperando na porta do fígado e não pode entrar. Isso porque você tem a boca nervosa, não parou de beber. E tem mais: nesse período de festas, é bom ficar de olho na quantidade de álcool em cada drinque. Sabemos que a ocasião implica em desmedidas atitudes de generosidade, inclusive com os drinques. Sabemos também que, no meio da festa, ninguém está aí para medir as doses corretas: uma dose freqüentemente tem o equivalente a dois, três drinques. Preste atenção.
Um drinque normalmente é igual a uma latinha de cerveja, uma taça de vinho ou um copo com dois dedos de destilado. Se bebêssemos tudo isso numa hora, nosso corpo precisaria de duas a três horas para realizar o seu trabalho. E todo o processo pode ficar pior quando estamos bebendo com o estômago vazio. Com o estômago cheio a absorção acontece mais rapidamente – talvez em vinte minutos, considerando o exemplo acima.
O truque aqui é não parar de comer enquanto está bebendo. Com o estômago vazio, o álcool passa rápido pelo estômago e duodeno e logo chega à corrente sanguínea e daí alcança o fígado. Na primeira passagem, o fígado começa a metabolizá-lo, ou seja, a tentar se livrar dele, destruindo suas moléculas e expelindo uma pequena parcela via urina, suor, hálito. O que sobra vai agir em todo o seu organismo. Serão necessárias várias passagens pelo fígado para que seja destruído completamente. Com o estômago cheio, o processo é retardado. Não é que os alimentos absorverão o álcool. É que retardarão a sua chegada à corrente sanguínea. Outro detalhe a observar é que alguns alimentos têm impacto maior do que outros em tornar essa absorção mais vagarosa. Esqueça o que seja “diet” ou “lite” nessas ocasiões. O fígado continuará agindo, mas desse modo, vagarosamente, alterando a estrutura química do álcool e decompondo-o em gás carbônico e água (que sairá pela urina, suor, hálito – não pense que ficará hidratada, muito pelo contrário).
Uma boa festa é aquela em que a comida circula tempo todo, nada falta para beliscar ou comer nas mesas. Em alguns lugares distribuem-se várias mesas, vários bufês, de modo a facilitar ainda mais o acesso.
Agora, a comida sozinha não vai fazer mágica alguma. Uma pessoa com o estômago cheio pode consumir uma quantidade tal de álcool num curto espaço de tempo achando que não será afetada. Vai aprender, amargamente, que o álcool que não puder ser processado pelo fígado será retido na corrente sanguínea. A comida sozinha não vai neutralizar o efeito do álcool, vai atrasar a sua chegada ao sangue e a todo o nosso corpo: pode ser o começo do fim da nossa festa. Um fim nada cor de rosa.
Em muitas festas encontramos drinques não alcoólicos, mas “vestidos” como se o fossem, camuflados, servidos nos mesmos copos e decorados (com folhas, frutas etc.) de modo convincente.
Alguns anfitriões e bufeteiras experimentadas lançam mão de recursos equivalentes. Como o espumante é popular nessas ocasiões, dá bons resultados colocar ao lado das garrafas borbulhantes, várias opções de sucos de frutas ou refrigerantes, club soda etc. para que os convidados façam os seus próprios drinques. Essas frutas vão ajudar a diluir o álcool nas taças.
Outro bom truque dos anfitriões é começar a reduzir o serviço de bebidas alcoólicas no terço final das festas e continuar oferecendo bebidas não alcoólicas. A essa altura, todo mundo está mais é a fim de refrescar-se. Talvez nem notem a ausência do álcool.
Como dissemos no início, um drinque apenas afeta mais uma pessoa leve do que uma pesada. Taí o porquê das mulheres correrem mais riscos do que os homens, pois são na média mais leves. Além disso, nós tendemos a ter menor quantidade da enzima responsável pela metabolização do álcool no fígado, chamado de álcool desidrogenase (ADH). Essa escassez faz com que processemos menos quantidades de álcool, fazendo com que ele chegue logo à corrente sangüínea e a todos os nossos sistemas.
O peso de um bebedor é, assim, importante para enfrentar o consumo de álcool. Uma pessoa pesada resistirá mais do que uma de pouco peso, bebendo a mesma quantidade de álcool, pois ele será distribuído por uma massa corpórea maior. Portanto, quanto menor o seu peso, mais sujeita estará a um porre. Veja só o caso daquela moça na novela do Manoel Carlos: sempre magrinha, sempre querendo perder peso e não comendo. E sempre bebendo: a Renata de “Viver a Vida” sofre de anorexia alcoólica ou drunkorexia. O álcool dá uma impressão de energia quando na verdade vai fazer com que a pessoa fique mais rapidamente à deriva, entregue às baratas. A Renata está sempre perdendo para o álcool, perdendo para ela mesma.
O Natal e o Ano Novo são desafiantes e até estressantes, tensos e podem fazer com que bebamos além da conta. Muita gente acha que a bebida vai ajudar a relaxar, a suavizar algum ângulo emocional pelo qual se esteja passando. Beber para se divertir não tem nada demais, desde que aquela deliciosa taça de vinho não seja utilizada para que nos sintamos mais seguras, mais bem humoradas. É engano pensar que um drinque equivale a uma pílula antiestresse, segura o bastante para evitar a chegada sorrateira e inexorável do álcool.
Nessas festas, movimente-se bastante, teste sua capacidade motora, tente não ficar parada. Mexa-se! Não deixe de testar sua capacidade de focar imagens, de equilibrar-se. E, principalmente, de fixar limites.
Tente consumir não mais do que um ou dois drinques por hora. Se você já sabe que bebe aceleradamente, um copo atrás do outro, prefira cerveja a vinho ou destilados. Mais do que cinco drinques numa noite costuma ser demais. Não perca a contagem do que está bebendo. E continue se mexendo.
Não beba álcool para matar a sede. Intercale bebida alcoólica com copos de água de modo a também permanecer hidratada (o álcool, você sabe, é um poderoso desidratante). Além disso, a maior parte do que você está comendo é salgado e seco. Prefira água nesses intervalos.
Preste atenção a sintomas como, por exemplo, o do frio. Está começando a sentir frio, num ambiente cheio de gente, todo mundo dançando, pulando, andando pra lá e pra cá, num clima já quente? Você já está ou começa a ficar perigosamente intoxicada. O álcool aumenta a perda da temperatura corporal, fazendo com que sinta frio. Se isso acontecer, está na hora de parar, hidratar-se, botar mais comida no estômago. E olhar em volta por uma carona. O seu carro merece um descanso, precisa ficar longe de outros carros, de outros motoristas e de pedestres que poderia atropelar pelo caminho, caso você insista em dirigi-lo.
Chegue na festa de táxi e com o telefone da cooperativa, para voltar. Arrume caronas confiáveis. Não acredite em frases como “eu estou bem”, “sou resistente”, “estou acostumada”, “conheço essa estrada de olhos fechados”. Não tem carona confiável e não tem táxi, sente-se e espere o tempo passar. Arrume um canto e tire um cochilo. Daqui a pouco, perceberá que aquela pane em seus sentidos cessou. Seus circuitos voltaram a funcionar. Você está bem, sem culpas, lembrando de tudo o que aconteceu e pode então terminar o seu Natal ou réveillon em paz.
Em paz não porque tenha escapado das tradicionais fofocas. Quem se importa, não é? Mas porque você não subestimou um direito que é todo seu e é a razão dessas festas: o direito de ser feliz.
Feliz Festas.
Da Adega
Maquis Lien no Brasil. Esse é um vinho de Xavier Choné, o mesmo viticultor que cuida de “monstros’ como o Chateau D’Yquem, Haut Brion, Cheval Blanc. O Maquis Lien 2005 chega ao Brasil através da
Terramatter Importadora. É um blend de Syrah, Carmenère, Cabernet Franc, Petit Verdot e Malbec. Vem do Vale do Colchagua, Chile, onde passou 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Está entre os melhores vinhos chilenos, segundo a revista Descorchados, o mais importante guia de vinhos do Chile.
Vitis Vinifera. Retribuo em dobro os votos de felicidade da grande importadora carioca, da
Vitis Vinifera
Vinhos de garagem. Três profissionais do vinho acabam de lançar o projeto Era dos Ventos, uma verdadeira vinícola de garagem. Bem uma vinícola de garagem costuma ser bem pequena, funcionar num espaço diminuto, como o de uma garagem, e ter produção igualmente diminuta, mas de qualidade altíssima. É o que criaram Pedro Hermeto (do restaurante Aprazível), Luís Zanini (enólogo da Vinícola Vallontano) e Álvaro Escher (enólogo, ex-Cave Ouvidor). São apenas 500 garrafas de um Teroldego (uma tinta italiana normalmente do Trentino-Alto Adige), de um blend de Teroldego com Merlot e um Peverella (outra italiana, mas branca). Esses vinhos estarão disponíveis apenas no
Aprazível, na loja da Confraria Carioca e no restaurante da chef Roberta Sudbrack. O vinhedo de origem fica na cidade de Bento Gonçalves, RS.

17.12.09

O vinho das deusas

Será que Dionísio, o deus grego do vinho, merece todo esse cartaz? Qual, afinal, o papel das mulheres na história do vinho. Dionísio e, tempos depois, seu equivalente romano Baco, são criações masculinas e muito recentes historicamente. Nos primórdios, quando as civilizações eram basicamente matriarcados, as divindades regentes do vinho e da vinha eram mulheres, o que é deixado esquecido pela maioria dos livros de história. Mas na história que conta, Dionísio foi dos últimos a chegar. Inclusive, foi o último deus a entrar no Olimpo, o 12º.
Ao que parece, não há muitas dúvidas de que foram mulheres as “descobridoras” do vinho. Está demonstrado que tecnologicamente o vinho feito de uvas cultivadas já era feito por volta de 6.000 a.C. no que é hoje a Geórgia, nas montanhas do Cáucaso. Existem até registros mais antigos de traços de vinho na Armênia, Iraque, Irã e China, embora haja confusão se de uvas, arroz, tâmara ou de mel.
Normalmente, eram as mulheres as encarregadas da colheita e Fo transporte desses frutos para vasilhames, a serem guardados em depósitos. Não é de estranhar, que uma dessas mulheres, ao dar uma olhada no depósito, se deparou com um desses jarros transbordando de bebida fermentada. Ela provou e adorou. Pronto, o vinho fora descoberto.
É mais ou menos isso o que conta uma antiqüíssima lenda, documentada na Epopéia de Gilgamesh, envolvendo um poderoso rei sumério do 28 a.C. Dizem que é o texto literário mais antigo que se conhece. Uma das mulheres do harém do rei Jamshid sofria de pavorosas enxaquecas (ah, nós e as enxaquecas!). Um dia, o rei descobriu que o vaso contendo suas uvas favoritas estava espumando e tinha um odor estranho. Assustado, mandou colocá-lo de lado, inseguro de comer as uvas. Ao ouvir isso, a odalisca decidiu beber daquele estranho líquido, para acabar logo com sua vida e o seu sofrimento. Mas aconteceu o contrário: ela adorou a bebida, que além de tudo a curou das dores e fez melhorar o seu humor. Logo, contou o acontecido ao rei, que então ordenou que se fizessem mais daquela bebida.
O império sumeriano ficava no que é hoje o Iraque. E é de lá que se registra a mais antiga divindade do vinho: Gestin, uma deusa, já adorada desde 3.000 a.C – isso por registros em tabuinhas de escrita cuneiforme. O provável é que seu culto tenha começado bem antes da invenção da escrita naquela região. Gestin em sumeriano pode ser traduzido por vinho, vinha ou uvas. Ela também é mencionada pelo Rig Veda, o “Livro dos Hinos” dos indianos, escrito entre 1.700 e 1.100 a.C. talvez o mais antigo texto religioso do mundo numa língua indo-européia. Os historiadores acham mais do que razoável que essas primeiras divindades do vinho fossem mulheres, pois as mais antigas deusas regiam a terra e a fertilidade. Gestin veio dessa base agrícola. Era ao mesmo tempo deusa do vinho e da lua. A relação com a lua identificava a deusa (e as mulheres) com as fases do nosso satélite. E com as alterações sazonais com a vida animal e vegetal: uma fase vegetativa produzindo apenas folhas e brotos, outra de floração, a penúltima de colheita e, por fim, a infecundidade. A analogia era feita com as fases férteis e estéreis da mulher, com o ciclo menstrual, normalmente de 28 dias. E o ano era dividido em ciclos lunares de 28 dias, num total de 12 ciclos, o período das revoluções da lua com relação ao sol.
Gestin não estava sozinha. Com o nome de Geshtinanna era a deusa do vinho e da fertilidade dos assírios (que viviam no norte do Iraque, Síria e em parte da atual Turquia). Muito mais tarde, em 1.500 a.C., na mesma região, é mencionada outra deusa do vinho, Paget. Ela trabalhava na vinha e ajudava a produzir vinho.
Entre 300 e 400 a.C., temos uma nova deusa na Suméria, Siduri. Os egípcios também tinham a sua, Renen-utet mencionada em hieróglifos datados de 1.300 a.C. Mais adiante, datado de 1.500 a.C descobrem-se estátuas da Deusa de Myrtos na ilha de Creta. Suas estátuas eram colocadas nos lugares dedicados à produção de vinho: a deusa tinha um pescoço de girafa, o corpo, no formato de uma barrica, era um vasilhame para vinho.
Falamos de um tempo em que as mulheres governavam. Aos homens era permitido caçar, pescar, colher alguns frutos, pastorear e ajudar a defender o território da tribo ou do clã contra invasores.
Milhares de anos depois, o Olimpo dos gregos reflete uma reviravolta nesse quadro. O deus-sol toma o lugar da mãe-lua, os homens passam a governar e as mulheres transformam-se (aos olhos deles) no “sexo frágil”.
Homero ignorou Dionísio em seus dois poemas. Dionísio era muito popular. Não tinha nada de seus parentes: não hera um herói, um titã. Os registros relativos ao deus grego do vinho só aparecem por volta de 500 a.C., enquanto os de Gestin datam de 3.000 a.C. As lendas falam que Dionísio teria vindo da Suméria e um autor se pergunta sobre possíveis conexões com Gestin, Paget e Siduri. Baco, o nome romano de Dionísio, só teve registros escritos por volta de 200 a.C., na decadência do império grego.
A cultura mudou, os homens começaram a comandar e as mulheres ficaram em segundo plano. Em Roma, se o marido pegasse a esposa bebendo vinho podia, por lei, matá-la no ato.
Nos tempos que correm, as mulheres já deram a volta por cima, apesar da atividade ser ainda preferentemente masculina. E seu papel nessa indústria só faz crescer. Basta lembrar de Nicole-Barbe Ponsardin, a lendária Veuve Clicquot, viúva aos 27 anos, inventora do remuage, aquele ritual de girar as garrafas para conduzir as borras de fermento para os gargalos, facilitando a sua retirada. Fez mais: ela popularizou o champagne em todo o mundo. Era a bebida consagrada na longínqua corte russa, isso em pleno século 19.
Falar da relevância feminina no mundo dos vinhos hoje é fácil, mas alongará demais essa coluna. Vamos lembrar-nos da Dra. Ann Noble, professora, durante 25 anos, de viticultura e enologia na Universidade da Califórnia, em Davis. Especializada nos aspectos sensoriais, ensinando a milhares de alunos como perceber aromas e como degustar vinhos. Ficou mais conhecida por ter criado a famosa Roda do Aroma, um soberbo recurso para descrever a complexidade de aromas e sabores da bebida.
Já a Dra. Carole Meredith chocou o mundo dos vinhos revelando a modesta origem genética da nobre uva Chardonnay: ela é originária de uma medíocre e quase extinta Gouais Blanc. A Dra. Meredith, também professora da Universidade da Califórnia, é uma das mais respeitadas geneticistas, especializada em plantas.
A inglesa Jancis Robinson será para sempre a minha guru, talvez a guru de todos os que se ocupam com os vinhos. É das mais notáveis autoras, com livros indispensáveis sobre os vinhos, em particular a monumental e imprescindível The Oxford Companion to Wine, a mais completa enciclopédia sobre a bebida escrita até hoje.
Entre as brasileiras, lembro sempre da Rosana Wagner, engenheira química, enóloga, fundadora da Vitivícola Cordilheira de Santana, na fronteira com o Uruguai. Escolheu o local a dedo e logo o seu Chardonnay 2005 recebia prêmios. E tem ainda a Monica Rosseti, diretora técnica da vinícola Lidio Carraro, causando impacto por ocupar uma posição tradicionalmente deixada aos homens. Vanessa Stefani, formada em viticultura e enologia, é uma das quatro enólogas da Casa Perini. Acha que “hoje o setor já sabe respeitar a opinião das jovens enólogas”.
Não podemos esquecer-nos da Deise Novakoski, a nossa primeira sommelière, formada na primeira turma da Associação Brasileira de Somméliers (ABS), há 26 anos. Ela penou: ninguém sabia direito o que era um sommelier, quanto mais uma sommelière. Hoje, está consagrada: é autora de livros sobre vinho, apresentadora de um programa de degustação na TV e segue com uma coluna sobre bebida (o vinho, em particular), na revista Rio Show, de O Globo. É pioneira na divulgação do vinho em nosso país.
As mulheres já são maioria nos cursos de vinhos, organizam confrarias em torno da bebida, são as maiores compradores de vinhos em todo o mundo (nos EUA elas compram 55% de todo o vinho). E assim a conexão das mulheres com o vinho foi retomada e cresce vigorosamente, com foco principalmente na amizade, na saúde, no bom senso e no romance. Somos um orgulho para qualquer deusa do vinho.
Da Adega
Trivento, o melhor argentino. A vinícola Trivento recebeu o troféu de “Melhor produtor de vinhos da Argentina”, em 2009, na International Wine & Spirits Competition, Reino Unido. A cada ano, a IWSC destaca os que fazem diferença na indústria do vinho, considerando seus padrões de qualidade, variedade, valor e educação para o consumidor. No certame, a
Trivento apresentou 22 vinhos, dos quais 18 foram premiados. O Trivento Golden Reserve Malbec 2007 alcançou o ouro no prêmio “Melhor de sua categoria”, de vinhos argentinos.
Geléias gourmet. O grupo
Famiglia Valduga Co, através da sua Casa de Madeira, especializada em alimentos finos, 100% naturais, está apresentando três novas geléias da linha extra gourmet: Malbec, Cabernet Sauvignon e Mirtilo. As iguarias não utilizam aromatizantes, conservantes e são feitas artesanalmente, à moda dos primeiros imigrantes italianos. Saiba mais no site da Casa de Madeira.
Mais mulheres. Só para reforçar a coluna: Janice Casagrande é diretora da Casa Valduga. Maria Inés Pina é gerente da Trivento e quem recebeu o prêmio da IWSC. Estamos em todas, amigas.
Paul Hobbs. Mas não pensem que sou de rasgar sutiãs. Aos homens o que é dos homens. Não deixem de ler a entrevista de Paul Hobbs, um dos mais importantes enólogos e produtores de vinho dos Estados Unidos. Veja
aqui.

10.12.09

As ceias e o buraco negro

Francamente, tropeço quando penso em combinar vinho com peru, galinha, leitão, bacalhau (uma bacalhoada ou os bolinhos), presunto tender, arroz com alguma coisa, farofa com alguma coisa, castanhas, nozes, salada, frutas, doces, panetone e mais não sei o quê?
A ceia natalina traz essa complicação. Não é uma mesa para um prato apenas. Costuma ser uma reunião de família, onde cada facção traz a sua prenda. O bacalhau é, mais uma vez (e graças!), o da vovó, o tender fica por conta da titia, a farofa com bacon é especialidade da prima. A mamãe fica com o leitão assado. E o restante da parentada responde pelos doces, bolos, tortas, sorvetes.
Não é nada fácil encontrar um vinho que consiga combinar perfeitamente com tantos acepipes numa mesma ocasião. Mesmo se tentarmos combinar um vinho com apenas uma dessas entradas seria difícil. Que vinho escolher para pratos com embutidos, condimentos, molhos, ora acentuando o sal, ora o doce. É um desfile de sabores em sua maioria divergentes a cada prato.
Um peru assado, com sua carne branca, mais para seca pode combinar bem com qualquer vinho branco e até mesmo vinhos maduros da Borgonha, segundo dica de um dos mais vendidos guias de vinho do mundo, o “Pocket Wine Book 2009”, de um dos mais destacados críticos de vinhos do globo, o inglês Hugh Johnson. Agora, que vinho acompanhará um peru com molho à Califórnia (alho, limão, vinho branco, azeitonas, pêssego em calda, figo em calda, cereja em calda, azeite, amido de milho, numa de suas muitas versões)? Talvez um espumante?
As dúvidas serão as mesmas ao tentarmos escolher vinhos para escoltar a galinha, o leitão, o tender, o bacalhau. Olha que estou falando apenas do prato principal. E as entradas, as pastas, patês, bolinhos disso e daquilo, torradas de queijo brie, pastramis.
Por exemplo, o mesmo Hugh Johnson sugere para um patê de ganso (foie gras) um vinho doce branco (como o Sauternes), com opções como um Pinot Gris late harvest, um Gerwurztraminer, um Tokaj Aszú 5 puttonyos. Ou um Amontillado maduro. Um presunto cru ficará bem com um Grand Cru da Alsácia, um pata negra ou um jamón com um Jerez ou um Porto Tawny.
Um patê de galinha pede desde um Amontillado até um Pinot Noir da Nova Zelândia, passando por um branco pungente: o Pinot Gris da Alsácia, por exemplo. Já a recomendação do crítico para o patê de pato é nada menos do que um Châteauneuf-du-Pape. O patê de peixe ficará melhor com um Muscadet ou um Chardonnay da Austrália ou da África do Sul (que não tenha passado por carvalho).
O popular Tender oferece muitas opções: um tinto leve da Borgonha, um Riesling alemão ligeiramente doce, um Cabernet Sauvignon leve (um chileno, por exemplo), um Pinot Noir do Novo Mundo e, mais uma vez, um Jerez (essa, uma combinação “divina”, segundo o grande crítico inglês).
Ainda pelo notável guia do crítico, um porco assado pode ser acompanhado tanto por um tinto leve quanto por um branco de peso. Ser o prato for feito à portuguesa, bem suculento, sugere um tinto da região da Bairrada.
O pastrami seria melhor escoltado por um Riesling da Alsácia ou por um tinto italiano, com a Sangiovese.
E não adianta dizer que devemos respeitar as tradições. Exemplo: fazer como os portugueses: bacalhau vai apenas com vinhos tintos. Já o Hugh Johnson como outro excelente crítico, o brasileiro Saul Galvão, preferem os brancos. O Saul, numa determinada degustação, indicou um branco de Rioja. Hugh Johnson sugere brancos como o Chablis ou com o Châteauneuf branco.
Noutra parte dessa coluna, informo de serviços oferecendo ceias de natal, com seleções de pratos e recomendação de vinhos, todas feitas por sommeliers, por profissionais experientes. Pode parecer, então, que estou andando na contramão.
Não, acho apenas infernal pensar em harmonizações nessas ocasiões. Já falei aqui que em quaisquer ocasiões não devemos seguir fórmulas do tipo “carne com vinho tinto, peixe com vinho branco”. Acho que não devemos nos fixar nos tipos de pratos (peixe, carne, salgados, doces) para escolhermos o vinho. Numa mesa como a que citei no início, cheia de possibilidades (graças à uma farta participação familiar), bastante farta e, sobretudo, muito variada, fica até difícil estabelecer uma sequência de vinhos: brancos antes dos tintos, os mais leves antes dos mais encorpados. Simplesmente, numa mesa dessas, fica impossível determinar qual a ordem de escolha de pratos pelos convidados. Tem gente que vai começar pelo bacalhau, outros pelo Tender, outros ainda começarão mesmo pelas entradas.
É uma grande e felizmente alegre confusão. Qualquer que seja a sugestão acabamos sempre numa encruzilhada.
Mas vou forçar a minha própria barra, com o pensamento voltado para o tempo e naturalmente para o sabor. Aqui, as festas de fim de ano são passadas sob intenso calor. Papai Noel diria “Ho, ho, ho, o calor tá um horror!”. Então, fico com um soberbo e refrescante espumante (o nacional, com certeza) ou uma boa Champagne. Com eles (e com a necessária boa vontade) poderemos acompanhar todo esse festim sem muitos atropelos. E com muito mais economia.
De qualquer modo, continua achado que as ceias natalinas são o Buraco Negro do vinho. E um Felicíssimo Natal!
Da Adega
Ceia sem erros. Já o pessoal da World Wine não tem problemas em sugerir pratos e vinhos para o nosso final de ano. O peru assado com farofa de miúdos é harmonizado com o rosé La Joya, feito com a Cabernet Sauvignon. O Tender assado com arroz com passas, um prato com diversos sabores (abacaxi, cereja, laranja e até cravo-da-índia vai com um Pinot Noir argentino, o Caitec, lá da Patagônia. Para o pernil assado a recomendação é um supertoscano, o Tuttobene. A rabanada é acompanhada por um vinho Madeira doce, o H.M.Borges. Veja esses vinhos no site dessa grande loja
online.
Don Abel. A
vinhos web, outra loja online, está oferecendo o Don Abel Premium Merlot 2005, um dos dois vinhos nacionais classificados pelo Guia de Vinhos do Jornal do Brasil. Na sua lista, na verdade temos dois Don Abel, o Merlot e o Cabernet Sauvignon, também 2005. De só uma olhada.
Saindo à francesa. Pois vamos ter um fim de ano movimentado no tradicional, embora trepidante La Casserole. No célebre restaurante paulista, o fim de ano será mesmo à francesa, com clássicos como salada de folhas verdes e magret de pato defumado o vinagrete de framboesa, omelete de hervas finas e tomate-cereja, Pappardelle ao alho e óleo com minilegumes, filé de truta, manteiga de alcaparras e purê de abóbora, encerrando com semifreddo de frutas vermelhas e coulis de pistache. Mas no cardápio continuarão o Pato com laranja, o steak au poivre, a bouillabaisse e o coelho à provençal, entre outros sucessos. O La Casserole acaba de completar 55 anos no mesmo Largo do Arouche, na capital paulista. Vale a pena considerá-lo. Visite o
site ou ligue: (11) 3331-6283. Espumantes. Veja as sugestões de espumantes e acessórios oferecidas pela Espumantes Web. É outra que também facilita a nossa vida e vende online.