Mostrando postagens com marcador resveratrol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador resveratrol. Mostrar todas as postagens

28.1.09

A nova jurubeba

Um médico e vinicultor australiano está aditivando seus vinhos com 100 mg/litro de resveratrol uma quantidade até 10.000% acima da quantidade normal desse famoso antioxidante. As quantidades típicas de resveratrol nos tintos ficam m torno dos 3 mg/litro e, nos brancos, até 1 mg/litro. E estão em cada garrafa por obra e graça da natureza.
Philip Norrie é clínico geral em Sydney, Austrália há mais de 30 anos, autor de vários livros sobre vinho e também estudioso do impacto da bebida na saúde. Fundou recentemente a
Pendarves Estate REW (REW: Resveratrol Enhanced Wine – Vinho Enriquecido com Resveratrol). E já lançou dois vinhos assim turbinados: um Chardonnay e um Shiraz, ambos sob o rótulo “The Wine Doctor” (“O Doutor do Vinho”). O Dr. Norrie diz que esse processo, já patenteado por ele, não altera cor, clareza, aromas e sabores da bebida.
O governo espanhol persegue igualmente o mesmo objetivo, investindo pesado em projetos para aumentar a dosagem do polifenol nos vinhos de alguns produtores da região de Rioja.
O resveratrol é um componente químico produzido pela uvas (e outras plantas como o amendoim e o eucalipto) em resposta a ataques microbianos ou de agentes externos como radiação ultravioleta. Começou a ficar famoso quando nos anos 90 pesquisadores norte-americanos comprovaram sua contribuição para a saúde e sua importância para o fenômeno do “Paradoxo Francês”. Em 1991, o correspondente do programa “60 Minutos”, Morley Safer, levou ao ar a reportagem “The French Paradox”, que buscava uma resposta para a baixa taxa de doenças cardíacas entre os franceses, logo eles com sua dieta rica em gorduras. E por pesquisas, concluiu que a explicação estria nos vinhos tintos. A partir daí, a demanda pelos vinhos tintos explodiu em todo o mundo. E a mola de tudo isso era o nosso resveratrol. Desde então, ele pontifica em pesquisas como solução de uma miríade de problemas de saúde: de doenças cardíacas e inflamatórias a obesidade, de câncer ao mal de Alzheimer, de doenças hepáticas, renais e pulmonares ao aumento de longevidade etc.
A indústria farmacêutica não perdeu muito tempo e hoje o resveratrol é produzido quimicamente e vendido como suplemento nutricional. A indústria de cosmético também se utiliza do produto, como um ungüento da juventude. Não é de estranhar que o resveratrol voltasse ao vinho em quantidades cavalares, mesmo sem o aval de departamentos de saúde ou de pesquisas científicas, ainda as voltas com os efeitos do polifenol nos ratinhos de laboratórios.
O resveratrol, encontrado nas cascas das uvas, faz parte do sistema imunológico da videira. É uma fitolexina, proteína que atua como protetora das plantas. Ela atua como uma toxina contra os organismos que a atacam, defendendo a planta contra herbívoros, pássaros (tornando a planta amarga, difícil de digerir) e até contra raios ultravioletas.
Ela manipula diretamente as sirtuinas, moléculas que agem como alteradores de metabolismo. Essas alterações podem acontecer em vasta gama de organismos, de fermentos a mamíferos e sempre obedecendo a duas diferentes estratégias: viva pouco e dinamicamente ou viva longa e vagarosamente. A natureza, ao que parece, criou essas duas diferentes estratégias de modo a que os organismos possam adaptar-se em ambientes, ora de fartura, ora de escassez. Por exemplo: a restrição de calorias, que se provou capaz de estender o período de vida de uma grande variedade de organismos, resultará num metabolismo de queima caloria muito lenta, onde os organismos ficam em compasso de espera até que as coisas melhorem. Em estudos experimentais, o resveratrol pode levar a um estado de restrição calórica o que pode servir de proteção contra várias doenças relacionadas à idade e até ao câncer.
Não é à-toa que o interesse por essa molécula seja enorme, embora ainda existam questões a resolver, com a das dosagens. Para desfrutar da saúde de alguns ratinhos, precisaríamos de mais do que uma garrafa de vinho tinto diariamente.
Pesquisadores da Escola Médica de Harvard, EUA, davam aos seus ratinhos de laboratório uma senhora dose de resveratrol (num estudo em torno da longevidade): 24 miligramas por quilo de peso. O vinho tinto pode ter entre 1,5 a 3 miligramas de resveratrol por litro. Portanto, uma pessoa com os seus 70 quilos precisaria beber entre 1.500 a 3.000 garrafas de vinhos todos os dias para chegar à dose consumida pelos ratinhos!
Numa rápida busca pela Internet, vamos achar muitas empresas oferecendo suplementos à base do resveratrol, todos trombeteando incríveis benefícios para a saúde. Mas ainda é muito cedo para transferir para os humanos o que ainda se está aprendendo à custa dos ratinhos.
A evidência de séculos de história é a de que o vinho, consumido com moderação, pode ser muito bom para a saúde. Logo, qual a vantagem e adicionar o resveratrol? Além disso, vinho não é remédio. O consumimos por prazer.
Vamos deixar os cientistas fazer o trabalho deles. Sabemos que há boas razões para a indústria farmacêutica ser pesadamente regulada, e para que os consumidores sejam protegidos contra remédios perigosos (ou não pesquisados devidamente) e falsos reclames.
Se o Dr. Norrie pesquisasse pra valer não daria no nome “The Wine Doctor” a seus vinhos. Pois esse é o nome de uma dos mais antigos e sérios sites sobre vinhos em toda a internet, assinado por um outro médico, Chris Kissack. Veja
aqui.
O Dr. Norrie vai faturar uma nota, tenho certeza. Poderá também percorrer um caminho que beira o supersticioso, o falso, o enganoso e ajudar a transformar a bebida num xarope milagroso, numa catuaba, numa nova jurubeba.

Da Adega
Cinco Sentidos
. A
Confraria Carioca apresentará no próximo dia 2 de fevereiro a linha Cinco Sentidos, da produtora Finca Algarve, de Mendoza, Argentina, trazidos pela importadora Madalosso Martins para a charmosa butique de vinhos de Duda Zagari.
A
Finca Algarve fica a 850 metros de altitude nas bordas do Rio Mendoza, na província de mesmo nome, na Argentina. Foi fundada em 1955 e dos seus 100 hectares saem agora uma linha completa de vinhos: Cinco Sentidos.
Temos o Gran Reserva 2004, um blend de Malbec (50%), Cabernet Sauvignon (44%) e Syrah (6%). Foi Medalha de Ouro na
Vinandino em 2007. Seguem-se o Reserva 2004 (metade Malbec, metade Cabernet), medalhas de ouro na Vinandino 2007 e de prata no Hyatt Awards 2007; o Torrontés 2007 (a grande uva branca argentina), o Chardonnay 2006, o Cabernet Sauvignon 2005, o Malbec 2005 (medalha de prata o Hyatt Awards 2007 e também de prata no Vinandino 2007) e o doce Tardio, um blend de Torrontés e Chardonnay, numa belíssima garrafa.
No dia 2 de fevereiro a degustação começará às 15 horas. Confraria Carioca fica no Rio Plaza Shopping, na Rua General Severiano, 97, loja 35, Botafogo, Rio de Janeiro. Não perca.
Carnaval na Vitis Vinifera. Dê só uma olhada no link da
Vitis Vinifera. Uma ótima promoção de preços para tintos, brancos e roses.

17.5.07

Cianidina ou Pinot Noir?

Sobre vinho e saúde, temos uma nova estrela. Não, dessa vez não é o resveratrol. A boa novidade tem um nome complicado: Cianidina-3-ramnosídeo, uma antocianina, um pigmento que vai do roxo ao azul encontrado largamente em frutas e vegetais.
A cianidina é o tipo mais comum de antocianina. No caso dos vinhos, é o elemento químico que fornece a cor vermelha das cascas das uvas e da própria bebida. Em particular, a Cianidina-3-ramnosídeo (C-3-R, para os íntimos), protege a fruta (no caso, a uva) das radiações ultravioletas. Possui também qualidades antioxidantes, entre elas a de prevenir de certos tipos de cânceres.
O pessoal do Departamento de Patologia da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, responsável por esse estudo, testou a C-3-R em vários tipos de leucemia e de linfomas.
Todas as células cancerosas morreram em 18 horas e até em menos tempo. E, melhor ainda: nenhuma das células normais (não atacadas por esses dois tipos de câncer) foi danificada ou intoxicada.
Os testes continuam, mas parece que, agora, os cientistas identificaram um novo aspecto positivo para beber-se vinho tinto. Não apenas ele vai ajudar na digestão, um delicioso companheiro das comidas, como pode ser chave para um coração mais saudável. É agora um possível preventivo para o câncer e talvez um eliminador de quimioterapias.
Só tem um porém: sabe-se que os níveis de C-3-R utilizados para eliminar leucemia e linfoma, segundo o referido estudo, são muito grandes. Teríamos que beber garrafas e mais garrafas de vinho. Portanto, não saia correndo para as lojas e gaste todas as suas economias em caixas de vinho. Há sempre o risco de uma cirrose hepática.
Certamente, esse trabalho vai resultar em fórmulas que a indústria farmacêutica disponibilizará nas doses apropriadas. Enquanto isso, quem quiser driblar futuros problemas pode continuar a beber o seu vinho tinto, sabendo que a C-3-R vai atingir células de nosso corpo e talvez prevenir doenças que silenciosamente tentam se conjurar.
O que sabemos, por estudos da Universidade da Califórnia (Davis) é que algumas varietais, de algumas regiões, produzem quantidades maiores de antioxidantes. Em particular, a Pinot Noir foi identificada como possuidora de grandes quantidades da C-3-R e de resveratrol. As regiões são o Oregon, nos Estados Unidos, e a Borgonha, na França, sempre áreas mais frias, portanto.
Cuidado. Mas temos que considerar que esses suplementos ainda não foram devidamente testados. Sabe-se que esses antioxidantes do vinho possuem importantes atributos.
Publiquei aqui, há tempos, uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Saúde sobre Envelhecimento, nos Estados Unidos. Alimentaram camundongos com uma dieta de muita gordura (que poderia levar a diabetes e doenças do coração). Após engordarem bastante, alguns desses animais receberam mega-doses de resveratrol.
Os camundongos que não receberam o antioxidante, farto nas uvas e vinhos tintos, contraíram várias doenças e morreram rapidamente.
Os tratados com resveratrol não desenvolveram quaisquer doenças e viveram tanto quanto os animais alimentados com uma dieta sadia.
Quando isso foi noticiado, a indústria farmacêutica jogou no mercado vários suplementos alimentares com base no resveratrol. E as vendas explodiram.
Mas o médico Felipe Sierra, envolvido na citada pesquisa, alerta que o trabalho, nesse estágio, “não significa nada para as pessoas, pois não sabemos o que acontece com o resveratrol em nossos corpos. Nosso metabolismo é diferente dos camundongos”.
O resveratrol é um componente natural encontrado nos vinhos tintos que se provou bom para a nossa saúde, mas as quantidades ministradas aos bichinhos foram exorbitantemente altas, bem mais do que qualquer pessoa possa consumir.
Câncer nas tampas de metal? Poderia escrever o ano todo sobre vinho e saúde: não há semana em que não leia alguma coisa a respeito sobre a face saudável do vinho. Porém, não faltam notas alarmantes.
No início de maio, um crítico de vinhos neozelandês, Keith Stewart, afirmou que há uma relação entre o um selo de plástico utilizado nas tampas de rosca metálica, (cada vez mais adotadas principalmente na Nova Zelândia) e o câncer de mama.
O tal selo é feito de um tipo de plástico, o PVDC, utilizado como uma camada para melhorar a impermeabilização de uma vasta gama de embalagens (inclusive garrafas) de alimentos e bebidas. É uma barreira contra oxidação, vapores, aromas e gases. Segundo o crítico, o PVDC seria um dos elementos químicos que afetam o sistema endócrino e impedem que os hormônios cumpram suas funções no corpo humano.
Só tem um detalhe: a indústria vinícola da Nova Zelândia solicitou em peso que Stewart apresentasse os estudos que o levaram a criar a nota. Imploraram que citassem os vinhos contaminados por esse selo nas roscas metálicas.
E o crítico até agora não apresentou qualquer evidência. Diz que sabe dos riscos desse tipo de selo desde 2003 e que a indústria neozelandesa não está pesquisando o bastante sobre esse tipo de tecnologia (as tampas de rosca metálica).
O caso é que a maioria de garrafas com tampa de rosca metálica utiliza desse selo há muitos anos (na maioria dos destilados: uísques, gins, vodcas etc.) e até hoje não se registraram casos de câncer.
O crítico diz que os casos de câncer de mama na NZ aumentaram 98% nos últimos 50 anos. “Mais ainda agora que as mulheres são as maiores compradoras de vinho e os principais alvos da campanha em prol das tampas metálicas”, afirma.
Diz ainda que existe evidência científica contra o PVDC e que se deve alertar contra beber-se vinho em garrafas de tampa metálica. Em tempo: 80% do vinho neozelandês e quase que 100% do seu Sauvignon Blanc estão em garrafas com esse tipo de tampa.
Só que as provas ainda não foram apresentadas. Alarmar apenas por alarmar também faz mal à saúde.
O que faz bem? E alarme é também o que acontece quando descobrem mais algum benefício no vinho e todos saem correndo atrás da bebida ou de seus suplementos.
Acho melhor é seguir o conselho do médico Stuart Seides, cardiologista do Washington Hospital Center. Ele acha que devemos parar de buscar no vinho outra coisa que não seja o prazer pela bebida.
“Meu conselho é economizar dinheiro e, em vez de suplementos alimentares, comprar uma boa garrafa e desfrutá-la aos poucos nas refeições”.